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Institutos criticam proposta do TSE para avaliar acerto de pesquisas

Setor considera inadequado medir qualidade científica apenas pela comparação com o resultado eleitoral.

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
19/07/2026 - 19:33
em D+NEWS

A divulgação frequente de pesquisas de intenção de voto voltou a provocar discussões sobre metodologia, credibilidade e interpretação dos números em um ano eleitoral. Em meio a esse debate, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, propôs a criação de um selo destinado a reconhecer os institutos cujos levantamentos apresentarem maior proximidade com os resultados oficiais das Eleições 2026.

Chamada inicialmente de Selo Acurácia Eleitoral, a iniciativa foi apresentada durante uma reunião com representantes de empresas do setor de pesquisas. A proposta ainda está em construção e poderá sofrer alterações antes de ser formalizada.

Segundo a minuta discutida no encontro, a avaliação consideraria pesquisas divulgadas nos sete dias anteriores à votação e levantamentos de boca de urna. Empresas condenadas por irregularidades graves ficariam impedidas de receber o reconhecimento.

O TSE abriu prazo para que institutos apresentassem sugestões sobre a metodologia, o nome da iniciativa e os critérios de escolha. Nunes Marques afirmou que o objetivo seria estimular excelência técnica, transparência e credibilidade na divulgação dos levantamentos eleitorais.

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Pesquisa não representa resultado antecipado

Apesar da importância dos levantamentos para a compreensão do cenário político, uma pesquisa eleitoral não deve ser interpretada como uma antecipação do resultado das urnas.

O estudo mostra as preferências declaradas por uma amostra de eleitores em determinado período. Entre a realização das entrevistas e a votação, parte do eleitorado pode mudar de candidato, decidir pelo voto útil, anular o voto, deixar de comparecer ou fazer sua escolha somente nos últimos dias da campanha.

A possibilidade de mudança é maior quando o levantamento ocorre meses antes da eleição, principalmente em cenários com elevado número de indecisos ou candidatos ainda pouco conhecidos.

Por isso, diferenças entre pesquisas antigas e o resultado final não significam, isoladamente, que houve fraude ou manipulação. A análise precisa levar em consideração a data da coleta, a margem de erro, o nível de confiança, o tamanho da amostra, a metodologia e a formulação das perguntas.

O conteúdo original enviado para esta matéria também destaca a necessidade de interpretar cada levantamento como um retrato do momento, sujeito a mudanças durante a campanha.

Setor reage à proposta do selo

A criação do selo provocou resistência entre representantes de institutos e entidades ligadas à atividade. A principal crítica é que a qualidade de uma pesquisa não pode ser avaliada apenas pela proximidade com o resultado final.

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa argumentou que a finalidade de um levantamento não é prever com exatidão um acontecimento futuro. Para a entidade, exigir que uma pesquisa reproduza o resultado das urnas seria ignorar as mudanças de comportamento que podem ocorrer até o dia da votação.

Representantes dos institutos também demonstraram preocupação com o período usado na avaliação. Um levantamento realizado sete dias antes da eleição pode refletir um cenário diferente daquele observado na véspera, especialmente em disputas apertadas ou marcadas por acontecimentos de grande repercussão.

Outro desafio será comparar estudos produzidos por métodos diferentes, como entrevistas presenciais, telefônicas, digitais ou abordagens híbridas.

Suspensão de pesquisa ampliou discussão

O encontro com os institutos ocorreu depois que o TSE suspendeu a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel sobre a disputa pela Presidência da República. O levantamento estava registrado sob o número BR-06939/2026.

A decisão cautelar foi tomada por Nunes Marques diante da suspeita de que uma das perguntas poderia induzir a resposta dos entrevistados. O ministro levou a medida ao plenário da Corte e votou pela manutenção da suspensão, mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista da ministra Estela Aranha.

O caso deverá contribuir para a definição de parâmetros sobre a formulação de questionários e a atuação da Justiça Eleitoral na fiscalização das pesquisas.

Pelas normas eleitorais, os levantamentos precisam ser registrados previamente no sistema do TSE. Entre as informações exigidas estão o contratante, a origem dos recursos, a metodologia, a quantidade de entrevistados, o período de coleta, a margem de erro e o nível de confiança. A Justiça Eleitoral mantém uma plataforma pública para consulta das pesquisas registradas.

Como avaliar uma pesquisa eleitoral

A credibilidade de um levantamento depende de diversos elementos técnicos. Um deles é a composição da amostra, que deve representar as características da população pesquisada.

Os institutos costumam considerar critérios como sexo, faixa etária, escolaridade, renda e distribuição geográfica. Os dados são ponderados para reproduzir, dentro dos limites estatísticos, o perfil do eleitorado.

Também é necessário observar a margem de erro. Quando um candidato aparece com 30% em uma pesquisa com margem de dois pontos percentuais, o resultado estimado pode variar entre 28% e 32%.

Outro aspecto relevante é a diferença entre pesquisa espontânea e estimulada. Na espontânea, o entrevistado informa sua preferência sem receber uma lista de nomes. Na estimulada, escolhe entre candidatos apresentados pelo pesquisador.

Os resultados podem variar conforme a pergunta, o período da coleta e o método empregado. Por isso, comparar apenas os percentuais, sem analisar a ficha técnica, pode levar a conclusões incorretas.

Episódios históricos exigem precisão

Casos do passado são frequentemente usados para demonstrar que pesquisas podem não coincidir com o resultado final. No entanto, esses episódios também precisam ser apresentados corretamente.

Fernando Henrique Cardoso perdeu para Jânio Quadros na eleição para a Prefeitura de São Paulo em 1985, e não em 1988. FHC chegou ao fim da campanha como favorito em parte dos levantamentos, mas foi derrotado nas urnas.

No Rio de Janeiro, o caso Proconsult ocorreu durante a eleição estadual de 1982. Leonel Brizola disputava o governo contra Moreira Franco. A controvérsia envolveu principalmente a totalização e a divulgação dos votos, e não uma eleição contra Sandra Cavalcanti, como aparece na transcrição original.

O episódio ganhou repercussão nacional e internacional após Brizola denunciar uma possível tentativa de interferência na apuração.

Redes sociais também entram no debate

Além da discussão com os institutos de pesquisa, o TSE reuniu partidos políticos e representantes de plataformas digitais para tratar da comunicação durante as Eleições 2026.

A oficina abordou segurança, contas políticas, regras das empresas de tecnologia, integridade da informação e enfrentamento à violência política. Participaram representantes de Meta, TikTok, X, Kwai, Google e Telegram.

Segundo o Tribunal, as plataformas podem ampliar o acesso dos eleitores a informações confiáveis, mas também exigem medidas de prevenção contra desinformação, manipulação e conteúdo ilícito.

O Selo Acurácia Eleitoral ainda não foi transformado em regra definitiva. A denominação, a metodologia de avaliação e os critérios para concessão permanecem em discussão.

Entre os pontos que precisarão ser esclarecidos estão a forma de comparação entre institutos, o peso da margem de erro, o tratamento dado aos indecisos e a influência da abstenção, dos votos brancos e dos votos nulos.

Para o eleitor, a recomendação é analisar as pesquisas como indicadores de tendência. Nenhum levantamento deve ser interpretado isoladamente ou tratado como resultado antecipado de uma eleição.

O primeiro turno das Eleições 2026 está marcado para 4 de outubro. Caso seja necessário, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.

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Tags: #Brasil#Democracia#Eleições2026#IntençãoDeVoto#NunesMarques#PesquisaEleitoral#política#TSE
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