O senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, anunciou que deixará a liderança do governo no Senado após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master.
A decisão foi comunicada depois de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em publicação nas redes sociais, Wagner afirmou que a saída foi definida em comum acordo e que, neste momento, sua prioridade será provar inocência, além de se dedicar às campanhas de reeleição de Lula, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e à própria disputa por mais um mandato no Senado.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Segundo o STF, a Polícia Federal cumpriu mandados em São Paulo, na Bahia e no Distrito Federal. A investigação apura, em tese, crimes como corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
De acordo com a apuração da Polícia Federal citada na decisão judicial, há suspeita de que Wagner teria recebido vantagens indevidas relacionadas a interesses de integrantes ligados ao Banco Master. Entre os pontos investigados estão a suposta entrega de um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, repasses a empresa ligada à família do senador e outros benefícios.
O senador nega ter cometido irregularidades. Wagner afirma que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado formalmente em processo criminal. Ele também sustenta que nunca atuou para favorecer o Banco Master e que sua relação citada na investigação envolve Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banco, e não uma atuação direta em favor da instituição financeira.
O caso aumentou a pressão política dentro do governo. Wagner era uma das principais vozes de articulação do Palácio do Planalto no Senado e integra o núcleo histórico de aliados do presidente Lula. A saída da liderança ocorre em um momento delicado para a base governista, que tenta evitar que a investigação sobre o Banco Master contamine a agenda política no Congresso.
A 9ª fase da Operação Compliance Zero ampliou o alcance do caso Master dentro do cenário político nacional. A investigação já vinha provocando desgaste em diferentes grupos políticos e agora alcança um dos nomes mais próximos do presidente da República no Senado.
Apesar do afastamento da liderança, Wagner afirmou que continuará exercendo o mandato e que vai se concentrar na defesa pessoal e na disputa eleitoral. O senador também declarou que pretende manter atuação política na Bahia, onde já foi governador e busca fortalecer o palanque aliado para 2026.
A investigação segue em andamento. Até o momento, não há condenação contra Jaques Wagner no caso. A defesa do senador afirma que vai apresentar esclarecimentos às autoridades e sustenta que os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo do processo.
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