A taxa de mortalidade em centros de detenção de imigrantes do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, mais que dobrou desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025. A informação consta em análise da Reuters baseada em registros oficiais do órgão migratório norte-americano.
Segundo o levantamento, cerca de 50 pessoas morreram sob custódia do ICE desde o início da nova campanha de deportação em massa lançada pelo governo Trump. O dado reacende críticas sobre as condições das unidades, a superlotação, a assistência médica e o atendimento psicológico oferecido aos imigrantes detidos.
A comparação histórica mostra o tamanho da mudança. Entre 2009 e 2024, a média registrada nos centros de detenção migratória dos Estados Unidos era de uma morte para cada 3.848 pessoas detidas. No novo período de Trump, a taxa passou para aproximadamente uma morte a cada 1.630 detidos.
O aumento ocorre em meio à ampliação da política de detenções e deportações. A população sob custódia do ICE cresceu com a intensificação das operações migratórias, pressionando a estrutura dos centros administrados diretamente pelo governo ou por empresas contratadas.
Relatos citados na análise apontam mortes relacionadas a problemas cardiovasculares, suicídios e suspeitas de falhas no atendimento emergencial. Especialistas em saúde, direitos humanos e imigração afirmam que pessoas com condições médicas graves ou vulnerabilidade psicológica podem ter sido mantidas em ambientes inadequados.
Organizações de defesa dos imigrantes também cobram maior transparência sobre os casos, divulgação completa dos relatórios de óbito e fiscalização independente das unidades. Para esses grupos, o avanço das mortes indica que o sistema de detenção migratória não acompanhou o ritmo da expansão das operações do governo.
O ICE afirma publicamente que a saúde dos detidos é uma de suas prioridades e mantém uma página oficial com notificações sobre mortes sob custódia. O órgão diz que os casos são comunicados às autoridades competentes e passam por procedimentos internos de apuração.
A política migratória de Trump tem sido uma das principais bandeiras de seu governo. Desde janeiro de 2025, a Casa Branca passou a defender ações mais duras contra imigrantes em situação irregular, com aumento de prisões, remoções e uso ampliado de centros de detenção.
Com a alta da mortalidade, o debate nos Estados Unidos passa a envolver não apenas o endurecimento das leis migratórias, mas também as condições humanas e sanitárias em que milhares de pessoas aguardam decisões administrativas, judiciais ou processos de deportação.
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