A Fiocruz lançou, no Rio de Janeiro, um centro dedicado ao desenvolvimento e à produção nacional de terapias CAR-T, uma das tecnologias mais avançadas atualmente no tratamento de alguns tipos de câncer. A iniciativa é voltada a pacientes com leucemia, linfoma e mieloma e tem como objetivo fortalecer o Sistema Único de Saúde, reduzir a dependência de tecnologias importadas e ampliar o acesso gratuito a tratamentos de alta complexidade.
A terapia CAR-T funciona a partir das próprias células de defesa do paciente. Essas células são retiradas, modificadas em laboratório para reconhecer células cancerígenas e depois reinfundidas no organismo, onde passam a atuar contra o tumor. O tratamento é considerado uma das principais apostas da medicina personalizada contra cânceres hematológicos.
No exterior, esse tipo de terapia pode custar até cerca de US$ 400 mil por paciente. Com a produção nacional, a expectativa é reduzir custos, desenvolver tecnologia própria e permitir que o tratamento seja incorporado ao SUS de forma gratuita para pacientes que atendam aos critérios clínicos. Segundo o Ministério da Saúde, o investimento anunciado para a iniciativa é de R$ 330 milhões.
A inauguração contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na sede da Fiocruz, no Rio. A agenda também marcou o lançamento do Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T e a entrega de 42 veículos para transporte de pacientes e reforço da rede de saúde no estado.
Para especialistas da área de saúde pública, a produção nacional de terapias avançadas representa um passo estratégico para o país. Além de aproximar pacientes de um tratamento de ponta, a iniciativa fortalece a pesquisa científica brasileira, a inovação em saúde e a capacidade do SUS de oferecer tecnologias antes restritas a poucos centros e com custos elevados.
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