Havana elevou o tom contra Washington após a divulgação de uma acusação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos envolvendo o ex-presidente cubano Raúl Castro e outros cinco cidadãos do país.
O processo está relacionado ao episódio de 1996, quando dois aviões foram derrubados após invadirem o espaço aéreo cubano, resultando na morte de quatro pessoas.
Em resposta, o governo cubano afirmou que a medida norte-americana teria caráter político e estaria sendo usada como instrumento de pressão internacional.
O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, classificou a acusação como “sem fundamento jurídico, político ou moral”, alegando que os Estados Unidos recorrem a estratégias judiciais para justificar ações contra outros países.
Segundo Havana, o caso faz parte de uma escalada de tensões com os Estados Unidos e não deve ser analisado de forma isolada.
As autoridades cubanas também sugerem que a iniciativa estaria ligada a interesses políticos internos norte-americanos e à influência de determinados grupos sobre decisões do governo.
O governo cubano afirma ainda que, antes do episódio de 1996, havia alertado repetidamente as autoridades dos Estados Unidos sobre incursões aéreas consideradas ilegais realizadas pelo grupo “Hermanos al Rescate”. Esses avisos teriam sido enviados por canais diplomáticos nos meses anteriores ao incidente.
Havana sustenta que também comunicou oficialmente que aeronaves não autorizadas poderiam ser interceptadas caso continuassem a violar seu espaço aéreo. Para o governo cubano, as autoridades norte-americanas tinham conhecimento das atividades dos pilotos, mas não adotaram medidas para impedir as operações.
Diante disso, Cuba afirma que a nova acusação contra Raúl Castro distorce os fatos históricos e tenta atribuir responsabilidade exclusiva às autoridades cubanas, ignorando a cadeia de eventos que levou ao desfecho do caso.
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