Se há uma máxima na política brasileira que se provou verdadeira neste Carnaval 2026 é a de que “político que não anda não engole votos” — ou, em sua versão mais direta: político que não é visto, não é lembrado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não apenas foi visto neste feriado momesco, como dominou completamente a narrativa política da maior festa popular do país, deixando claro que a largada para as eleições de 2026 foi dada em grande estilo.
Em um tour que atravessou três capitais brasileiras — Recife, Salvador e Rio de Janeiro — Lula transformou o Carnaval em palanque político sem precedentes.
No Galo da Madrugada, em Pernambuco, foi ovacionado pela multidão. No Circuito Osmar, em Salvador, dançou e celebrou ao lado de governadores e da primeira-dama Janja. Mas foi no Rio de Janeiro que o presidente viveu seu momento de apoteose, ao ser homenageado como enredo da Acadêmicos de Niterói, escola que estreava no Grupo Especial da Sapucaí com o tema “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
O simbolismo não poderia ser mais evidente. Lula não apenas participou do Carnaval — ele o protagonizou. Desfilou na Avenida ao lado do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), beijou a bandeira da Portela, recebeu dois camarotes da Prefeitura e assistiu aos desfiles onde sua trajetória política era cantada e exaltada por milhares de foliões.
A estratégia foi milimétrica: visibilidade máxima nos estados mais populosos e politicamente estratégicos do país. O presidente não apenas marcou presença — ele se tornou parte integrante da festa, absorvendo a energia popular e convertendo-a em capital político para o ano eleitoral que se aproxima.
Lula celebrou a emoção da noite na Sapucaí ao ver Niterói, Imperatriz, Portela e Mangueira brilharem na mesma avenida. Criatividade, talento e a força cultural do Carnaval do Rio em um espetáculo inesquecível. 🎭🇧🇷🥁#Lula, #Sapucaí, #CarnavalRJ, #Carnaval2026, #Samba pic.twitter.com/bSIPs3aBkw
— PortalVIU! (@Portal_VIU) February 16, 2026
O ‘apagão’ da Globo: História se repetindo
Mas se Lula brilhou, a TV Globo decidiu, mais uma vez, apostar na velha cartilha da sabotagem editorial — e colheu resultados amargos. A emissora adotou uma postura que oscilou entre a sobriedade constrangedora e o silêncio deliberado durante a transmissão do desfile da Acadêmicos de Niterói.
Segundo reportagens da Folha de S.Paulo e do portal NaTelinha, a Globo ignorou completamente a homenagem a Lula na abertura da transmissão. Enquanto o apresentador Alex Escobar detalhou os enredos de Imperatriz, Portela e Mangueira, simplesmente pulou a descrição do tema da escola de Niterói.
A transmissão só começou quando a agremiação já estava no meio da avenida, com cerca de 30 minutos de atraso. A edição priorizou planos gerais, reduziu o tempo de câmera para alas e artistas, e “passou reto” nos trechos considerados mais politicamente sensíveis.
O resultado? Queda brutal de audiência. A Globo registrou 26% menos audiência que a média do horário em São Paulo, segundo o F5 da Folha, chegando a ser ameaçada pela Record, que exibia o Campeonato Paulista. Foi um fracasso comercial e editorial.
Redes sociais e mídia alternativa: O novo poder?
Enquanto a Globo tentava minimizar a presença presidencial, as redes sociais e a mídia alternativa fizeram o oposto: amplificaram. Páginas do Instagram, TikTok, YouTube e canais independentes transmitiram cada segundo do desfile, cada imagem de Lula no camarote, cada frame da escola cantando a história do presidente.
Vídeos de Lula dançando em Salvador, sendo ovacionado em Recife e emocionado na Sapucaí viralizaram, acumulando milhões de visualizações. A hashtag #LulaNoCarnaval dominou as redes, mostrando que o poder de moldar narrativas não pertence mais exclusivamente às grandes emissoras.
A mídia alternativa não apenas cobriu o evento — ela o transformou em fenômeno político.
O apagão da Globo, longe de esconder Lula, o evidenciou ainda mais. A tentativa de sabotagem se converteu em munição para críticos da emissora, que apontaram o viés editorial e a repetição de erros históricos.
1984: Quando a Globo perdeu para a Manchete
A história tem dessas ironias cruéis. Em 1984, durante a inauguração do Sambódromo carioca, a Rede Globo cometeu exatamente o mesmo erro que repetiria 42 anos depois. Na época, o governador Leonel Brizola — ferrenho inimigo das Organizações Globo — havia construído a Passarela do Samba projetada por Oscar Niemeyer e idealizada por Darcy Ribeiro.
A Globo, em retaliação política, especulou riscos de desabamento das arquibancadas, espalhou terrorismo midiático sobre a viabilidade da obra e se recusou a transmitir o primeiro Carnaval no novo Sambódromo.
Coube à TV Manchete assumir a transmissão — que foi um estrondoso sucesso de público e audiência. A Manchete venceu a Globo na disputa pela audiência, e a emissora de Roberto Marinho foi obrigada a voltar atrás no ano seguinte, retomando a cobertura.
A lição deveria ter sido aprendida: toda vez que a Globo optou por sabotar figuras políticas populares no sambódromo, colheu resultados amargos. Mas a história, como se sabe, costuma se repetir — primeiro como tragédia, depois como farsa.
Lula na pole position para 2026
O saldo do Carnaval 2026 é inequívoco: Lula consolidou-se como o grande protagonista político da festa e, por extensão, como favorito para a disputa eleitoral que se aproxima. Ele demonstrou vigor físico, carisma popular e capacidade de mobilização que poucos políticos brasileiros conseguem reunir.
Mais do que isso, mostrou que compreende perfeitamente o novo ecossistema midiático. Enquanto a velha mídia tenta aplicar fórmulas ultrapassadas de controle narrativo, o presidente navega com desenvoltura pelas redes sociais e pelos canais alternativos, onde reside hoje o verdadeiro poder de alcance e engajamento popular.
A Globo, ao tentar apagar Lula da cobertura do Carnaval, não apenas falhou — ela iluminou ainda mais o presidente, ao mesmo tempo em que expôs suas próprias limitações e vieses editoriais. O ‘apagão’ virou holofote.
Se o Carnaval é, como dizem, um termômetro político, então Lula saiu de 2026 não apenas aquecido, mas fervendo. E se depender da força demonstrada na folia, o inquilino do Palácio do Planalto já pode começar a desenhar os planos para mais quatro anos de mandato.
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