Pesquisadores identificaram que as bactérias presentes no intestino podem ajudar o sistema imunológico de pessoas que vivem com HIV. O estudo, publicado na revista científica Nature Microbiology, indica que o microbioma intestinal não apenas sofre os efeitos da doença, mas também participa ativamente da defesa do organismo.
A pesquisa acompanhou cerca de 140 pacientes em Israel e na Etiópia ao longo de vários anos. Ao transferirem essas bactérias para camundongos, os cientistas observaram que elas influenciavam diretamente o funcionamento das defesas do corpo, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre microbiota e imunidade.
Nos testes, os animais que receberam microrganismos de pessoas com HIV apresentaram aumento das células T CD4 no intestino — justamente as células de defesa que o vírus costuma destruir. Sem tratamento, a queda dessas células deixa o organismo vulnerável a infecções oportunistas associadas à AIDS.
Os resultados também mostraram um limite: quando a doença já estava em estágio avançado, o efeito protetor praticamente desaparecia. Camundongos que receberam bactérias de pacientes com imunodeficiência grave apresentaram níveis baixos dessas células de defesa.
Outro dado importante foi a melhor resposta contra a criptosporidiose, infecção comum em pessoas com AIDS. Os animais com microbioma proveniente de pacientes com HIV eliminaram o parasita com mais eficiência, sugerindo um papel direto das bactérias intestinais na proteção contra patógenos.
Para os pesquisadores, os achados abrem caminho para novas estratégias terapêuticas. Alterações na alimentação, uso de probióticos ou terapias direcionadas ao microbioma podem, no futuro, ajudar a reforçar a imunidade e reduzir complicações da doença — especialmente em regiões onde o acesso a tratamentos avançados ainda é limitado.
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