A Baía de Guanabara, um dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro, volta ao centro das atenções por causa de um alerta ambiental. Pesquisa realizada pela Universidade Federal Fluminense (UFF) identificou a presença de mercúrio em peixes consumidos na região, que abrange 17 municípios do estado e garante o sustento de pelo menos 4 mil famílias de pescadores.
O estudo analisou espécies amplamente consumidas pela população local, como sardinha, robalo, corvina e tainha. De acordo com os pesquisadores, o robalo apresentou a maior concentração do metal, enquanto a sardinha registrou os menores índices entre_toggle as espécies avaliadas.
A contaminação está associada a diferentes fontes, como o tráfego intenso de embarcações, atividades industriais e o despejo irregular de resíduos domésticos. O mercúrio é um metal pesado que pode se acumular nos organismos aquáticos e, a longo prazo, provocar impactos à saúde humana, incluindo alterações no sistema nervoso central e outros problemas crônicos.
A legislação brasileira estabelece limites máximos para a presença de mercúrio em pescados: até 1 miligrama por quilo para peixes predadores e 0,5 miligrama por quilo para espécies não predadoras. Segundo o levantamento, nenhuma das amostras analisadas apresentou níveis considerados alarmantes a ponto de exigir a suspensão do consumo. No entanto, os especialistas recomendam alternar as espécies ingeridas, reduzindo a exposição contínua ao contaminante.
Além da análise dos peixes, o estudo também avaliou amostras de cabelo de moradores do entorno da baía, método utilizado para medir a exposição ao mercúrio ao longo do tempo. Embora não tenham sido registrados valores extremos, alguns resultados ficaram acima do limite considerado ideal.
A maior concentração de mercúrio foi identificada na região da Ilha do Governador, na zona norte do Rio. Em seguida aparecem os municípios de Magé e Itaboraí, na Região Metropolitana.
Os pesquisadores defendem a necessidade de monitoramento permanente da qualidade da água e dos alimentos provenientes da baía. Para eles, a medida é fundamental para garantir a segurança alimentar da população e preservar a atividade pesqueira, que representa fonte de renda e proteína para milhares de famílias.
Especialistas destacam que políticas públicas voltadas ao saneamento básico, controle de efluentes industriais e fiscalização ambiental são essenciais para reduzir os níveis de contaminação e assegurar a recuperação ambiental da Baía de Guanabara.
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