O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Faquim, declarou que não permanecerá inerte diante das investigações envolvendo o Banco Master, que têm gerado questionamentos sobre supostos interesses de dois ministros da Corte, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
As denúncias, levantadas em reportagem do Diário da Guanabara, apontam que a esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Bars de Moraes, manteve contratos de consultoria com o Banco Master. Já Dias Toffoli teria ligações pessoais e profissionais com advogados ligados à instituição, sendo relator de processos que envolvem o banco e outros negócios financeiros, como operações do BTG Pactual.
Segundo o artigo “A sombra da dúvida, quando os guardiões da justiça precisam prestar contas”, publicado recentemente, essas conexões expõem fragilidades no sistema de pesos e contrapesos, enquanto outros magistrados ou políticos enfrentam punições por infrações menores.
O caso ganhou repercussão nacional quando se tornou público que a Polícia Federal ouviu Luís Antônio Bull, ex-diretor de riscos, compliance, RH e tecnologia do Banco Master. O depoimento foi realizado de forma virtual e durou 25 minutos, abordando questões sobre a venda de ativos do banco para o Banco Regional de Brasília (BRB), após problemas com papéis podres e suspeitas de pirâmide financeira.
Outros depoimentos programados para esta semana, incluindo os de Robério César Bonfim Mangueira, Ângelo Antônio Ribeiro da Silva e Augusto Ferreira Lima, foram adiados devido a alegações de que as defesas não tiveram acesso completo ao processo. Novas datas ainda não foram definidas.
O ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, em nota pública, esclareceu que deixou de atuar como advogado do Banco Master ao ser convidado pelo presidente Lula para assumir o cargo no governo federal. Após deixar o STF em abril de 2023, Lewandowski retomou a advocacia, prestando serviços de consultoria jurídica, incluindo ao Banco Master.
Faquim destacou ainda que a Suprema Corte seguirá acompanhando o caso “doa a quem doer”, enquanto parlamentares pedem o afastamento de Toffoli da relatoria. A Procuradoria-Geral da República já arquivou pedidos recentes de impedimento, considerando que a apuração sobre o caso está em andamento.
O episódio reacende debates sobre a imparcialidade da Corte e a necessidade de transparência em processos que envolvem magistrados de alto escalão, reforçando a atenção da sociedade sobre o papel do STF no sistema democrático brasileiro.
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