A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira, a operação Barco de Papel no Rio de Janeiro, com o objetivo de apurar suspeitas de operações financeiras irregulares envolvendo recursos do RioPrevidência, fundo responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores públicos estaduais. Agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços da capital, incluindo a região da Praça Mauá.
Segundo a Polícia Federal, a investigação mira investimentos realizados pela autarquia em um banco privado que se encontra sob intervenção do Banco Central. De acordo com os investigadores, as aplicações teriam exposto o patrimônio previdenciário a riscos elevados e incompatíveis com a finalidade do fundo.
Ao todo, estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, autorizados pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. O inquérito foi instaurado em novembro de 2025 e apura nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024.
Essas operações resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas pelo banco investigado. Para a Polícia Federal, há indícios de que as decisões de investimento não observaram critérios técnicos adequados de segurança e prudência exigidos para a gestão de recursos previdenciários.
A apuração contou com o apoio da Secretaria do Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social, que elaborou um relatório de auditoria fiscal. O documento apontou inconsistências e serviu de base para o avanço das investigações.
Entre os crimes investigados estão gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública ao erro, fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva, todos previstos na legislação que trata do sistema financeiro nacional.
Entre os alvos da operação estão Davis Marcon Antunes, diretor-presidente da instituição financeira; Euchério Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos; e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-diretor de investimentos interino, exonerado do cargo em dezembro. A Polícia Federal não informou se houve apreensão de documentos ou equipamentos até o momento.
Segundo fontes da investigação, a apuração não deve se limitar aos atuais alvos. Os investigadores avaliam que as decisões que resultaram nos investimentos sob suspeita podem ter extrapolado o âmbito técnico da autarquia, o que levanta a hipótese de outros envolvidos ao longo do processo decisório.
Situação dos investigados
Até o momento, não houve prisões no âmbito da operação Barco de Papel. Os investigados são alvos de mandados de busca e apreensão e permanecem respondendo às apurações em liberdade.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, Davis Marcon Antunes, então presidente da instituição investigada, estava fora do Brasil, nos Estados Unidos, no dia em que a Polícia Federal cumpriu os mandados. As buscas ocorreram em endereços ligados a ele no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Após a deflagração da operação, ele foi exonerado do cargo.
Já Euchério Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos, e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-diretor de investimentos interino, tiveram residências no Rio de Janeiro alvo de buscas realizadas por agentes federais. Também foram cumpridos mandados na sede do RioPrevidência, no Centro da capital fluminense.
A Polícia Federal informou que as investigações seguem em andamento e que novas diligências ou eventuais responsabilizações poderão ocorrer conforme o avanço da apuração.
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