A Apple anunciou oficialmente nesta segunda-feira que irá utilizar os modelos de inteligência artificial Gemini, desenvolvidos pelo Google, como base da próxima geração da assistente virtual Siri. A decisão representa uma das colaborações mais relevantes já firmadas entre as duas empresas, historicamente concorrentes no setor de tecnologia.
Em comunicado divulgado à CNBC, a Apple informou que, após um período de avaliação, concluiu que a tecnologia do Google oferece a infraestrutura mais robusta para sustentar os chamados Apple Foundation Models. Segundo a empresa, a escolha permitirá entregar novas experiências aos usuários de seus dispositivos.
O anúncio teve impacto imediato no mercado financeiro. As ações da Alphabet avançaram no pregão e ajudaram a companhia a ultrapassar, pela primeira vez, o valor de mercado de US$ 4 trilhões. Com isso, a empresa se consolidou como a segunda mais valiosa do mundo, atrás apenas da Nvidia.
De acordo com informações da Bloomberg, o acordo vinha sendo negociado desde 2024 e prevê que a Apple pague cerca de US$ 1 bilhão por ano para acessar a tecnologia do Gemini. A parceria envolve a adoção de uma versão personalizada do modelo do Google, com aproximadamente 1,2 trilhão de parâmetros, número significativamente superior ao sistema em nuvem atualmente utilizado pela Apple.
A integração do Gemini acontece após o adiamento da reformulação da Siri, inicialmente prevista para 2025. A Apple reconheceu que o desenvolvimento da assistente avançada demandou mais tempo do que o esperado. Antes de fechar com o Google, a empresa avaliou soluções de outros fornecedores do setor de inteligência artificial.
A nova versão da Siri deve ser lançada junto ao iOS 26.4, com previsão para março ou abril. Entre os recursos esperados estão maior compreensão de contexto, leitura de informações exibidas na tela e capacidade de executar tarefas complexas que envolvem múltiplos aplicativos.
Apesar da parceria com uma concorrente direta, a Apple afirmou que manteve seus padrões de privacidade. Os modelos do Gemini serão executados exclusivamente na infraestrutura de Private Cloud Compute da própria Apple, sem compartilhamento de dados dos usuários com o Google. Funções como resumo e planejamento ficarão a cargo da tecnologia do Gemini, enquanto outros recursos continuarão sendo processados por modelos internos da Apple.
O acordo é visto como um avanço estratégico para o Google e, ao mesmo tempo, um reconhecimento por parte da Apple de que o desenvolvimento de modelos de IA de ponta exige cooperação. A empresa segue trabalhando em soluções próprias e não descarta, no futuro, substituir o Gemini por um modelo interno, embora não tenha divulgado prazos para essa transição.
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