O governo da China criticou nesta segunda-feira as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de Washington controlar a exportação de petróleo da Venezuela. Segundo Pequim, países da América Latina e do Caribe têm o direito soberano de decidir com quem mantêm relações econômicas e comerciais.
Durante coletiva de imprensa realizada em 12 de janeiro, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, respondeu aos comentários feitos por Trump em reunião com executivos do setor petrolífero na Casa Branca. De acordo com ela, independentemente do desenrolar da situação, a China seguirá aprofundando a cooperação prática com países da região, incluindo a Venezuela, com foco no desenvolvimento conjunto.
As declarações de Trump ocorreram após encontro com representantes de grandes companhias de energia, como Chevron, ExxonMobil e ConocoPhillips. Na ocasião, o presidente americano defendeu uma intervenção direta dos Estados Unidos no setor petrolífero venezuelano e afirmou que Pequim e Moscou só deveriam ter acesso ao petróleo do país sob supervisão de Washington.
Segundo autoridades americanas, o governo dos EUA pretende condicionar o apoio econômico à ruptura de laços da Venezuela com China, Rússia, Irã e Cuba, além de exigir parceria exclusiva com empresas norte-americanas na produção de petróleo. Washington também sinalizou a intenção de supervisionar a comercialização de dezenas de milhões de barris do produto.
A reação chinesa ocorre em meio ao aumento das tensões após a operação militar americana realizada em 3 de janeiro, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Desde então, Pequim tem adotado um tom crítico em relação às ações dos Estados Unidos na região.
O presidente chinês Xi Jinping chegou a alertar contra o que chamou de práticas unilaterais e intimidadoras, afirmando que esse tipo de conduta prejudica a ordem internacional, ainda que não tenha citado diretamente a Venezuela. O Ministério das Relações Exteriores da China classificou as exigências americanas como uma violação do direito internacional e dos direitos do povo venezuelano.
Do ponto de vista econômico, a China é atualmente a maior compradora de petróleo venezuelano e também um dos principais credores do país. Estimativas apontam que investimentos chineses na Venezuela somam cerca de US$ 18 bilhões. Embora o petróleo venezuelano represente uma parcela pequena das importações totais chinesas, empresas estatais dos dois países mantêm parcerias estratégicas no setor energético.
Pequim também tem defendido que a crise venezuelana seja tratada em fóruns multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU, e reforça a necessidade de soluções baseadas no diálogo, rejeitando ações militares ou pressões externas como caminho para restaurar a estabilidade no país.
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