O crescimento dos casos de mpox no Rio de Janeiro acendeu um alerta nas autoridades de saúde. Com 298 diagnósticos confirmados desde janeiro, o estado já ultrapassou o dobro dos registros contabilizados durante todo o ano passado. A capital concentra a maior parte das infecções e retomou, nesta sexta-feira (6), a vacinação de pessoas consideradas mais vulneráveis às complicações da doença.
O balanço atualizado até 6 de novembro mostra que 207 casos foram registrados na cidade do Rio, o equivalente a aproximadamente 69% das ocorrências no estado. Apesar do aumento, não foram informadas mortes relacionadas à mpox no período.
Para reforçar a prevenção, o Ministério da Saúde anunciou a aquisição de até 20 mil doses de vacina, destinadas prioritariamente a grupos com maior risco de desenvolver formas graves da infecção.
Na quarta-feira (4), a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro recebeu mais de 2 mil doses, encaminhadas à capital fluminense para a retomada da imunização.
Casos no Rio mais que dobraram em um ano
O avanço da doença fica evidente na comparação com 2025. Naquele ano, o estado registrou 119 casos de mpox. Em 2026, o número chegou a 298 até o início de novembro, um aumento de aproximadamente 150%.
A cidade do Rio responde pela maior parcela dos diagnósticos, mas o acompanhamento epidemiológico também envolve os demais municípios fluminenses.
A Secretaria Estadual de Saúde mantém ações de vigilância para identificar novos casos, acompanhar a circulação do vírus e orientar os serviços municipais.
Entre as medidas previstas estão a atualização de protocolos e a capacitação de profissionais de saúde para reconhecer sintomas, realizar o atendimento inicial e encaminhar pacientes que necessitem de acompanhamento especializado.
O objetivo é reduzir a transmissão e identificar precocemente situações que possam evoluir para complicações.
Brasil contabiliza 665 casos em 2026
Em todo o país, o Ministério da Saúde registrou 665 casos confirmados de mpox em 2026, sem mortes no balanço divulgado.
O número permanece abaixo dos registros da emergência sanitária de 2022, quando o Brasil ultrapassou 10 mil diagnósticos.
Mesmo assim, a circulação do vírus exige atenção, principalmente entre pessoas com maior vulnerabilidade imunológica.
A infectologista Carolina Lázari, integrante da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, avalia que não há indicação de vacinação em massa neste momento.
A estratégia de prevenção está concentrada na proteção de grupos prioritários e na identificação rápida de novos casos.
A compra de vacinas também busca garantir estoques para atender às necessidades dos serviços de saúde caso seja preciso ampliar a imunização.
Quem pode tomar a vacina contra mpox?
A vacinação contra a mpox segue critérios definidos pelas autoridades sanitárias e não está disponível para toda a população.
A estratégia nacional prioriza pessoas vivendo com HIV/Aids que apresentam comprometimento importante do sistema imunológico, especialmente aquelas com contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células/mm³.
Conforme a disponibilidade de doses e as orientações vigentes, outros grupos poderão ser contemplados, incluindo pessoas vivendo com HIV com CD4 inferior a 200 células/mm³, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e profissionais de laboratório expostos ao vírus.
Na cidade do Rio de Janeiro, a vacinação foi retomada inicialmente para pessoas com 18 anos ou mais que vivem com HIV/Aids e apresentam contagem de CD4 inferior a 200 células/mm³.
O esquema de imunização prevê duas doses, com intervalo de 28 dias.
A ampliação para outros públicos dependerá do recebimento de novas remessas e das definições das autoridades de saúde.
Veja onde buscar a vacinação no Rio
A Secretaria Municipal de Saúde disponibilizou cinco unidades de referência para a imunização dos grupos contemplados nesta etapa.
O Super Centro Carioca de Vacinação de Botafogo, localizado na Rua General Severiano, 91, funciona diariamente, das 8h às 22h. Na Zona Norte, o atendimento ocorre no Super Centro Carioca de Vacinação instalado no Shopping Nova América, em Del Castilho.
Na Zona Oeste, a vacinação também está disponível no Super Centro Carioca de Vacinação do ParkShopping Campo Grande.
Outros dois locais de referência são o Centro Especial de Vacinação Dr. Álvaro Aguiar (CEVAA) e o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais do Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz (CRIE/INI), com atendimento informado de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
Os horários das unidades instaladas em shoppings seguem o funcionamento dos respectivos estabelecimentos.
Antes de procurar um posto, a recomendação é confirmar os critérios de elegibilidade, a disponibilidade de doses e a necessidade de agendamento.
Pessoas que já realizam acompanhamento em serviços especializados também podem buscar orientações diretamente com suas equipes de saúde.
Quais são os sintomas da mpox?
A mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus MPXV, que pode provocar lesões na pele e nas mucosas.
As manifestações podem começar com pequenas manchas, evoluir para bolhas e, posteriormente, formar crostas durante o processo de cicatrização.
As lesões podem aparecer em diferentes regiões do corpo, incluindo rosto, mãos, pés, boca e área genital.
Outros sintomas possíveis são febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios, cansaço e aumento dos gânglios linfáticos, conhecidos como ínguas.
Nem todas as pessoas apresentam os mesmos sinais. Em alguns casos, as lesões podem surgir sem febre ou outros sintomas gerais. Por isso, qualquer alteração suspeita deve ser avaliada por um profissional de saúde.
Como ocorre a transmissão?
A transmissão da mpox acontece principalmente pelo contato físico próximo com pessoas infectadas, especialmente com lesões de pele e mucosas.
O vírus também pode ser transmitido pelo contato com objetos contaminados, como toalhas, roupas e lençóis.
O contato próximo com secreções respiratórias representa outra possibilidade de transmissão.
Para reduzir o risco, é importante evitar contato direto com lesões suspeitas, não compartilhar objetos pessoais com pessoas infectadas e manter a higiene das mãos.
Quem apresentar sintomas deve procurar atendimento médico e evitar contato físico próximo até receber orientação adequada.
Pessoas que tiveram exposição ao vírus também precisam buscar avaliação, pois a vacinação após o contato pode ser indicada em situações específicas.
Quando recomendada, a imunização pós-exposição deve ser realizada preferencialmente nos primeiros quatro dias, podendo haver orientações específicas conforme o tempo decorrido e a presença de sintomas.
Vigilância será reforçada nos municípios
Com o aumento dos diagnósticos, as autoridades de saúde pretendem intensificar a identificação de casos suspeitos e ampliar as orientações aos profissionais que atuam na rede pública.
A prioridade é garantir que os pacientes recebam atendimento adequado e que os contatos próximos sejam orientados sobre os cuidados necessários.
A retomada da vacinação na capital representa uma das medidas adotadas para proteger pessoas com maior risco de complicações.
Apesar de não haver registro de mortes no balanço divulgado, o crescimento das infecções reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
A recomendação é que a população fique atenta aos sintomas e procure uma unidade de saúde diante de qualquer suspeita, evitando a automedicação e o contato direto com lesões.
Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.














