O estado do Rio de Janeiro está entre as seis unidades da federação que poderão registrar crescimento nos casos de dengue em 2027. A previsão faz parte de um levantamento científico nacional divulgado nesta sexta-feira (6), que estima aproximadamente 860 mil casos prováveis da doença no Brasil durante a próxima temporada.
O estudo foi apresentado no webinário Preparação para a temporada de dengue 2027 e reúne pesquisadores ligados à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), à Fundação Getulio Vargas (FGV) e às plataformas InfoDengue e Mosqlimate.
Embora o cenário indique a possibilidade de aumento das infecções em determinadas regiões, os especialistas não projetam, neste momento, uma epidemia nacional da mesma dimensão daquela registrada em 2024.
As estimativas foram elaboradas para auxiliar o Ministério da Saúde, os estados e os municípios no planejamento de ações de prevenção, vigilância e atendimento à população.
Rio de Janeiro e outros cinco estados exigem atenção
Além do Rio de Janeiro, o levantamento identifica tendência de crescimento dos casos no Paraná, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais.
Nas demais unidades da federação, os modelos apontam para números semelhantes ou inferiores aos observados na temporada anterior.
A inclusão do Rio entre os estados com possibilidade de aumento reforça a importância de intensificar o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e da zika.
No Norte Fluminense, municípios como Campos dos Goytacazes, Macaé e São João da Barra também precisam manter as medidas de vigilância e eliminação de criadouros.
O estudo, entretanto, não apresenta previsões individualizadas para essas cidades. Dessa forma, não é possível estimar quantos casos poderão ocorrer em cada município com base nos dados nacionais divulgados.
Brasil pode registrar entre 560 mil e 1,6 milhão de casos
A projeção central dos pesquisadores é de aproximadamente 860 mil casos prováveis de dengue em 2027.
Entretanto, o levantamento considera diferentes cenários, com um intervalo de incerteza de 80% que varia de cerca de 560 mil a 1,6 milhão de registros.
O período de maior transmissão poderá ocorrer em abril, quando a estimativa aponta um pico de aproximadamente 40 mil casos.
Os números não representam uma previsão definitiva. Mudanças nas condições climáticas, na circulação dos sorotipos do vírus e nas ações de prevenção podem alterar o comportamento da doença.
Para comparação, o Brasil registrou aproximadamente 1,66 milhão de casos prováveis de dengue em 2025, segundo dados do Ministério da Saúde.
Mais de 130 especialistas participaram das projeções
O levantamento integra a terceira edição do Desafio de Previsão de Dengue InfoDengue–Mosqlimate, iniciativa que reúne equipes científicas de diferentes países.
Nesta edição, participaram mais de 130 especialistas, distribuídos em 27 equipes de oito países.
Ao todo, 22 modelos matemáticos e estatísticos foram incorporados à previsão conjunta.
A metodologia permite reunir diferentes análises sobre a circulação da dengue e produzir estimativas que auxiliem o planejamento dos serviços públicos.
O pesquisador Flávio C. Coelho, da FGV e do Mosqlimate, destaca a importância de transformar informações epidemiológicas em instrumentos de apoio às decisões dos gestores.
Já Claudia Codeço, pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue, ressalta que a ausência de previsão de uma grande epidemia nacional não significa que o risco tenha desaparecido.
A preparação antecipada continua sendo fundamental para reduzir a transmissão e evitar a sobrecarga das unidades de saúde.
El Niño pode alterar cenário da dengue
A possibilidade de um episódio intenso de El Niño durante o verão de 2027 também foi considerada pelos pesquisadores.
O fenômeno climático interfere nos padrões de temperatura e chuva e pode favorecer a reprodução do Aedes aegypti em determinadas regiões.
Entretanto, ainda existem incertezas sobre a intensidade e os efeitos locais dessas alterações.
Três modelos científicos incluíram variáveis climáticas em suas análises, mas apresentaram resultados diferentes sobre a influência do fenômeno na transmissão.
Por esse motivo, os especialistas recomendam que os planos de contingência considerem possíveis mudanças climáticas e sejam atualizados conforme novos dados estiverem disponíveis.
Chikungunya também poderá registrar aumento
O estudo também apresentou estimativas para a chikungunya, outra infecção transmitida pelo Aedes aegypti.
A previsão aponta mais de 90 mil casos prováveis no Brasil durante a próxima temporada.
Como referência, foram registrados aproximadamente 127 mil casos em 2024–2025 e 76 mil em 2025–2026.
Entre os estados do Nordeste com tendência de crescimento estão Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba, Sergipe e Piauí.
A projeção também indica possibilidade de aumento nos três estados da Região Sul, além de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
O Espírito Santo não foi incluído nas estimativas de chikungunya devido a inconsistências identificadas nos dados de notificação.
Como prevenir dengue e chikungunya?
A eliminação de recipientes com água parada continua sendo uma das principais formas de reduzir a reprodução do mosquito transmissor.
Entre as medidas recomendadas pelas autoridades sanitárias estão:
- Manter caixas-d’água e reservatórios devidamente fechados;
- Eliminar água acumulada em pneus, garrafas, vasos e outros recipientes;
- Limpar calhas, ralos e áreas externas;
- Descartar corretamente objetos que possam acumular água;
- Utilizar repelentes conforme as orientações do fabricante;
- Receber os agentes de saúde responsáveis pelas ações de prevenção.
Pessoas que apresentarem febre, dores no corpo, manchas na pele ou outros sintomas suspeitos devem procurar atendimento médico.
No caso da dengue, sinais como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos e tontura exigem avaliação imediata.
Prevenção deve começar antes do período de maior transmissão
As projeções científicas permitem que estados e municípios antecipem medidas para enfrentar possíveis aumentos de casos.
Entre as ações estão o reforço da vigilância epidemiológica, a preparação das unidades de atendimento e a intensificação das campanhas de combate ao mosquito.
Para o Rio de Janeiro, a tendência de crescimento identificada no levantamento representa um alerta para a necessidade de planejamento antes da chegada do período de maior transmissão.
Os pesquisadores destacam que as estimativas poderão ser atualizadas conforme novos dados epidemiológicos e climáticos forem incorporados aos modelos.
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