A tarde desta terça-feira (9) foi marcada por forte tensão no plenário da Câmara dos Deputados depois que Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira da presidência em um ato de protesto. A manifestação do parlamentar terminou de maneira violenta, quando agentes da Polícia Legislativa Federal o removeram à força, sob gritos e protestos de aliados.
O gesto de Braga ocorreu após o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciar que levaria ao plenário o pedido de cassação do psolista, juntamente com os processos de Carla Zambelli (PL-SP) e Delegado Ramagem (PL-RJ), ambos condenados pelo Supremo Tribunal Federal. Embora os casos não tenham relação direta, a decisão de pautá-los simultaneamente provocou forte reação do deputado, que desafiou publicamente: “Que me arranquem desta cadeira e me tirem do plenário.” Motta também colocou em votação um projeto que prevê a redução das penas de investigados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
Quando a voz do povo é arrancada à força, é a democracia que sangra.
Ver @Glauber_Braga sendo retirado do plenário por defender transparência e enfrentar abusos revela o que muitos querem esconder: há quem prefira calar a verdade do que encarar a justiça. pic.twitter.com/42qcfj9WXq
— Pastor Henrique Vieira (@pastorhenriquev) December 9, 2025
Glauber Braga responde a um processo que pode resultar na perda de seu mandato por ter desferido um chute contra um militante do MBL no ano passado, após provocações. Ao assumir a cadeira da presidência, o deputado criticou o tratamento dado por Motta a oposicionistas em agosto, quando parlamentares bloquearam a mesa diretora por quase 48 horas sem qualquer tipo de intervenção policial. Nesta terça, porém, menos de uma hora após o início do ato, Braga foi contido e arrastado para fora do plenário.
O episódio gerou ainda mais polêmica após o sinal da TV Câmara ser interrompido no início da confusão, obrigando jornalistas a deixarem o plenário e a galeria. Não há confirmação sobre quem determinou o corte da transmissão. Imagens registradas por parlamentares mostram Braga sendo retirado com as roupas rasgadas, enquanto apoiadores protestavam. Do Salão Verde, o deputado conversou com a imprensa e fez duras críticas à condução da sessão.
Segundo ele, há uma “ofensiva golpista” em curso dentro da Câmara. “Com os golpistas que sequestraram a mesa, sobrou docilidade; agora, com quem não entra no jogo deles, é porrada”, afirmou. O psolista também disse acreditar que sua eventual cassação e inelegibilidade por oito anos estariam alinhadas à votação de um texto que poderia reduzir a pena de Jair Bolsonaro para dois anos e preservar os direitos políticos de Eduardo Bolsonaro.
Braga declarou ainda que seguirá resistindo em defesa das liberdades democráticas e alertou que situações semelhantes podem atingir outros parlamentares ligados a movimentos populares e progressistas. A votação de seu processo está marcada para esta quarta-feira (10).
Hugo Motta, por sua vez, publicou uma nota nas redes sociais afirmando que Braga desrespeitou o Legislativo e já havia adotado condutas semelhantes no passado. Segundo ele, a democracia não pode ser ameaçada pelo “grito” ou por “gestos autoritários”, e ações extremistas — de qualquer lado — colocam as instituições em risco. Motta também informou que determinou apuração sobre possíveis abusos cometidos contra a imprensa durante a confusão.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











