Portugal estabeleceu uma meta ambiciosa para a próxima década: alcançar o reconhecimento do português como uma das línguas oficiais das Nações Unidas até o ano de 2030. A proposta está formalizada no 25.º Programa do Governo português e já conta com o apoio institucional do Brasil, além da aprovação unânime dos países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, reafirmou seu compromisso com a proposta em entrevista à ONU News no último dia 23. Segundo ele, essa não é apenas uma iniciativa de Portugal, mas de toda a comunidade internacional lusófona. “É uma causa comum dos países de língua portuguesa”, afirmou.
A língua portuguesa é atualmente falada por quase 300 milhões de pessoas, tornando-se uma das cinco mais faladas no mundo. É também predominante no hemisfério sul e figura entre os idiomas mais usados no ambiente digital. Esses dados são centrais para justificar a candidatura à oficialização na ONU, que atualmente reconhece apenas seis línguas oficiais: inglês, francês, espanhol, russo, árabe e chinês.
Apesar de o projeto de internacionalização da língua portuguesa ter começado oficialmente em 2008, muitos dos objetivos ainda não saíram do papel. No entanto, avanços importantes foram conquistados nos últimos anos: novas academias de língua foram criadas, o Brasil inaugurou o Instituto Guimarães Rosa com foco em diplomacia cultural, e o Instituto Camões segue promovendo o português em diversas frentes, inclusive em ambientes multilíngues junto ao espanhol e ao francês.
O presidente Marcelo Rebelo de Sousa enxerga esse esforço como mais do que uma ação diplomática. Em um cenário internacional de crescente polarização, ele vê a promoção da língua como um ato de esperança e de construção coletiva. “Vivemos tempos de hiper nacionalismos, fechamento, desconfiança e medo”, disse, destacando que o fortalecimento da língua portuguesa é também uma resposta cultural a esse contexto.
O reconhecimento do português como língua oficial da ONU não seria apenas um marco simbólico, mas também uma estratégia de longo prazo para aumentar a influência dos países lusófonos na geopolítica internacional. A CPLP, que inclui nações da África, América do Sul, Europa e Ásia, vê na língua um ponto de conexão que pode reforçar a cooperação multilateral.
Ao encerrar seu mandato presidencial, Sousa pretende retornar ao magistério para continuar educando as novas gerações e transmitindo sua visão sobre o papel estratégico da língua portuguesa no mundo contemporâneo. Para ele, essa missão já se tornou parte essencial de seu legado político e cultural.
Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro












