Eduardo Bolsonaro (PL), ex-deputado federal que teve o mandato cassado, publicou um vídeo nas redes sociais em que pede à comunidade internacional que não reconheça o resultado das eleições brasileiras. Na gravação, ele também defende o cancelamento do pleito e solicita pressão externa para tentar reverter a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O ex-parlamentar questionou a mudança no resultado entre o primeiro e o segundo turno, argumentando que seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL), havia terminado a primeira etapa da disputa à frente de Lula. Para Eduardo, o cenário seria inédito desde a redemocratização do país, em 1985.
Eduardo questiona transferência de votos
Morando nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, Eduardo levantou dúvidas sobre como os votos dos candidatos eliminados no primeiro turno foram distribuídos na etapa final da eleição.
Ele mencionou Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (DEM) e Romeu Zema (Novo), argumentando que esses candidatos teriam posições políticas mais próximas às de Flávio Bolsonaro.
Segundo o ex-deputado, cerca de nove milhões de votos estavam associados aos candidatos derrotados. Ele considerou improvável que Lula tivesse recebido uma parcela expressiva desse eleitorado e citou manifestações de apoio a Flávio feitas por Caiado e Zema. Também mencionou que Augusto Cury declarou que não incentivaria seus eleitores a votar em Lula.
As declarações, porém, não demonstram por si só como os eleitores desses candidatos votaram no segundo turno. A escolha individual dos eleitores não pode ser determinada apenas pelas posições políticas ou pelos pronunciamentos dos candidatos derrotados.
Números do TSE mostram mudanças na participação
Para fundamentar suas críticas, Eduardo recorreu a dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre comparecimento e votação nos dois turnos.
A taxa de abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,22% no segundo, uma redução de 1,86 ponto percentual. A variação correspondeu a 2.960.239 eleitores a mais nas urnas, segundo os números citados.
Os votos brancos e nulos também apresentaram queda. O percentual de votos brancos passou de 1,84% para 1,12%, enquanto o de votos nulos recuou de 2,93% para 2,12%.
Essas mudanças refletem diferenças na participação eleitoral e na distribuição dos votos válidos, brancos e nulos. Isoladamente, entretanto, não comprovam fraude nem permitem identificar em qual candidato votaram os eleitores que compareceram ao segundo turno.
Horário de votação também entra na discussão
Outro alvo das críticas foi a decisão atribuída ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de ampliar em duas horas o horário de votação. Segundo o relato, a medida foi solicitada pelas campanhas de Lula e Flávio durante o processo eleitoral.
Eduardo questionou o caráter da decisão e a competência do ministro para tratar do assunto enquanto a votação estava em andamento, argumentando que Zanin não integrava a Justiça Eleitoral.
A discussão envolve as atribuições dos diferentes órgãos do Judiciário e os procedimentos adotados durante o processo eleitoral. Para avaliar a legalidade da medida, é necessário considerar a decisão judicial, seus fundamentos e as normas aplicáveis, e não apenas as críticas apresentadas por um dos envolvidos na disputa política.
Ex-deputado também critica pesquisas e urnas eletrônicas
Eduardo Bolsonaro ainda contestou pesquisas de intenção de voto divulgadas antes da eleição. De acordo com sua declaração, apenas um dos 15 principais levantamentos realizados no país apontava uma vitória de Lula.
O ex-parlamentar já havia questionado publicamente a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras em manifestações dirigidas ao público internacional. Entre os pontos levantados, citou a ausência de cédulas de papel preenchidas diretamente pelos eleitores e de uma contagem manual pública dos votos.
Questionamentos políticos, contudo, não constituem evidência de fraude eleitoral. Para sustentar uma alegação desse tipo, são necessárias provas verificáveis de irregularidades capazes de comprometer a votação ou a apuração.
O sistema eleitoral brasileiro conta com mecanismos de fiscalização e transparência, entre eles os Boletins de Urna (BUs), documentos que registram os resultados de cada seção eleitoral. A existência desses mecanismos permite a conferência dos dados, mas eventuais denúncias precisam ser examinadas com base em evidências concretas.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.











