O ex-ministro Roberto Campos (avô do economista Roberto Campos Neto, atual presidente do Banco Central), costumava definir o orçamento público como uma obra de ficção.
Avaliava que os números se fundamentam em expectativas de arrecadação, assim como os planos de investimentos. Só que entre a ficção dos números e a realidade econômica, muitas vezes, situa-se um abismo.
Na ficção orçamentária do Estado do Rio de Janeiro para o orçamento de 2024, por exemplo, alguns integrantes do primeiro escalão estão se batendo entre o que é realidade e ficção.
Ficção: O orçamento prevê um déficit de R$ 3,6 bilhões no orçamento. Realidade: O déficit estimado pela secretaria de Planejamento estaria subestimado. O número real chegaria a cifra de R$ 5 bilhões.
Enquanto os números brigam, o governo Cláudio Castro aperta os cintos. O Estado trabalha com Caixa Único, mesmo sistema adotado por César Maia, quando secretário de Fazenda no governo Brizola. Ou seja, o controle sobre o dinheiro é centralizado.
Diante do arrocho, desde o início deste ano não há registro de verbas descentralizadas para investimentos e assim deve permanecer.
Com isso, obras financiadas pelo governo estadual nos municípios já estão paralisadas por tempo indeterminado.
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