A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) afirmou nesta quarta-feira (24) que espera ser libertada em breve na Itália, onde está presa desde agosto. Ela prestou depoimento à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, por videoconferência, no âmbito da Representação 2/25, que trata da sua condenação criminal pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
“Em pouco tempo, não vou estar mais dentro de um presídio, vou estar solta, porque o processo foi todo injusto, do começo até o final, e espero que consiga provar isso aqui também na CCJ e no Plenário”, declarou Zambelli aos parlamentares.
A deputada aguarda a análise de um pedido de extradição para o Brasil. Segundo ela, autoridades italianas se surpreenderam com aspectos do julgamento no STF. “O ministro Alexandre de Moraes foi vítima, relator e julgador. Quando falei isso, começaram a rir. ‘Isso não existe, fala a verdade para a gente’, disseram.”
Carla Zambelli e o hacker Walter Delgatti Neto foram condenados pela invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023, incluindo a inserção de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. A condenação do STF também resultou na perda do mandato parlamentar, o que agora será analisado pela Câmara.
Durante o depoimento, Zambelli alegou que não teve direito a um julgamento justo. “[No meu caso,] primeiro, só houve um grau de jurisdição; segundo, Moraes não aceitou recurso; terceiro, me colocou em prisão preventiva, que não existe para deputado, só em caso de flagrante delito inafiançável.”
Ela também citou o ex-deputado Daniel Silveira, condenado em 2022, como exemplo de uma suposta “sanha persecutória” do STF contra parlamentares. Ao responder perguntas do relator da Representação, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), Zambelli negou envolvimento direto com Delgatti Neto e minimizou a relação com o hacker. “Converso com as pessoas mesmo quando me enganam, sou meio tonta, não tem outra explicação.”
Zambelli ainda ironizou a acusação de que teria tentado influenciar o resultado das eleições. “O crime foi em janeiro de 2023. Mesmo que eu tivesse dado ordem, não serviria de nada, porque o Lula já tinha ganhado”, afirmou.
O deputado Pedro Campos (PSB-PE), por outro lado, destacou que a condenação de Zambelli a 10 anos de prisão torna inviável sua permanência no cargo. “Precisará passar no mínimo 608 dias em regime fechado, impossibilitando qualquer exercício parlamentar.”
O presidente da CCJ, deputado Paulo Azi (União-BA), informou que reiterou ao ministro Alexandre de Moraes o pedido de retirada do sigilo da Ação Penal 2428 no STF, que envolve a deputada. A comissão já ouviu anteriormente Walter Delgatti Neto, além de especialistas ligados à defesa de Zambelli.
Após o parecer da CCJ, o caso seguirá para decisão do Plenário da Câmara, onde os deputados deverão votar a confirmação da perda de mandato.
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