Aos 40 anos, Felipe Sousa-Lazaballet conquistou uma cadeira na Câmara dos Representantes da Flórida, nos Estados Unidos. Nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o brasileiro venceu a eleição pelo Partido Democrata depois de uma trajetória marcada por dificuldades migratórias e atuação em defesa dos direitos dos imigrantes.
O resultado das eleições de terça-feira (3) colocou Felipe à frente da republicana Bonnie Jackson na disputa pelo Distrito 42, na região de Orlando.
Segundo os números preliminares da Divisão Eleitoral da Flórida, o democrata recebeu 49.752 votos, correspondentes a 62,41% do total. Bonnie Jackson obteve 29.972 votos, ou 37,59%.
A vitória chama a atenção pela história do brasileiro, que chegou aos Estados Unidos aos 14 anos e passou parte da juventude sem documentação migratória regularizada.
Da Baixada Fluminense aos Estados Unidos
Filho de uma empregada doméstica, Felipe deixou o Brasil ainda adolescente, acompanhado da mãe.
A mudança trouxe desafios relacionados à documentação, aos estudos e à busca por oportunidades profissionais.
Durante aproximadamente 15 anos, ele viveu sem residência permanente no país.
A experiência o aproximou de movimentos de defesa dos chamados dreamers, jovens imigrantes que chegaram aos Estados Unidos durante a infância ou adolescência e cresceram no território americano sem situação migratória regular.
O envolvimento com essas organizações marcou o início de sua atuação comunitária.
DACA abriu caminho para regularização
Uma das mudanças importantes em sua trajetória ocorreu com o Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA), programa criado em 2012 durante o governo de Barack Obama.
A iniciativa permite que determinados imigrantes que chegaram ao país quando menores de idade obtenham proteção temporária contra deportação e autorização de trabalho.
O DACA, entretanto, não concede automaticamente residência permanente nem cidadania.
Felipe conseguiu o green card em 2020 e se naturalizou cidadão americano em 2021.
Com a cidadania, passou a cumprir um dos requisitos necessários para disputar cargos eletivos nos Estados Unidos.
Democrata venceu com mais de 62% dos votos
A apuração preliminar apontou uma vantagem de quase 20 mil votos para Felipe Sousa-Lazaballet.
O candidato democrata conquistou 62,41% dos votos, enquanto Bonnie Jackson, do Partido Republicano, terminou com 37,59%.
Os números ainda dependiam dos procedimentos oficiais de certificação eleitoral.
Durante a campanha, Felipe apresentou propostas voltadas à educação pública, à oferta de moradias acessíveis, à redução do custo de vida e à ampliação do acesso a serviços essenciais.
A proteção ambiental também esteve entre os temas defendidos pelo candidato.
Trabalho comunitário começou antes da candidatura
A participação de Felipe em movimentos sociais teve início muito antes da disputa eleitoral.
Em 2010, ele integrou a Trail of Dreams, mobilização organizada por jovens imigrantes para chamar a atenção para a necessidade de mudanças nas leis migratórias americanas.
O brasileiro também atuou no Hope CommUnity Center, organização dedicada ao atendimento de imigrantes e famílias em situação de vulnerabilidade.
O trabalho incluiu ações de integração social, orientação comunitária e defesa do acesso a direitos.
Essa experiência se tornou uma das principais referências de sua trajetória pública.
Eleição ocorre em meio ao debate sobre imigração
A vitória do brasileiro acontece em um período de intensas discussões sobre as políticas migratórias dos Estados Unidos.
O endurecimento das medidas de fiscalização e deportação adotadas pelo governo Donald Trump mantém o tema no centro das disputas políticas.
Nesse contexto, a eleição de um ex-beneficiário do DACA chama a atenção para os diferentes caminhos percorridos por imigrantes que cresceram no país.
Felipe é apresentado como o primeiro brasileiro eleito para a Câmara dos Representantes da Flórida.
Sua história também reúne experiências de atuação comunitária e representação da população LGBTQIA+, já que o político se identifica publicamente como gay.
Com o resultado, o brasileiro passa da mobilização social à representação parlamentar, levando ao Legislativo estadual pautas que marcaram sua trajetória pessoal e profissional.
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