A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga 25 funcionários da Light por suspeita de participação em furtos de cabos de cobre da rede elétrica. A apuração aponta para o possível uso de veículos da concessionária no transporte dos materiais até um ferro-velho irregular na capital fluminense.
A investigação deu origem à Operação Blackout, que cumpriu sete mandados de busca e apreensão em endereços do Rio de Janeiro e dos municípios de Nova Iguaçu, Magé e São Gonçalo.
A ação contou com equipes especializadas da Polícia Civil, incluindo agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Nesta fase, não foram expedidos mandados de prisão. O objetivo é reunir documentos, equipamentos e outros elementos que ajudem a esclarecer a participação dos suspeitos.
Denúncia da própria Light iniciou investigação
O caso começou a ser investigado em abril, depois que a Light comunicou à polícia o desaparecimento de aproximadamente 500 metros de cabos de cobre na Zona Sul do Rio. O prejuízo foi estimado pela concessionária em R$ 80 mil.
Ao analisar imagens de câmeras de segurança, os investigadores identificaram um veículo com a identidade visual da empresa sendo utilizado na retirada do material. A descoberta levantou suspeitas sobre a possível participação de pessoas com acesso aos equipamentos e à estrutura operacional da concessionária.
A partir das imagens, os policiais passaram a acompanhar os deslocamentos de veículos ligados à Light.
Veículos teriam feito 37 visitas a ferro-velho
O rastreamento levou os investigadores a um ferro-velho irregular na Zona Portuária do Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Civil, o estabelecimento teria recebido cabos retirados da rede elétrica.
As diligências apontaram que, entre abril e maio, 16 veículos vinculados à Light estiveram no mesmo local em 37 ocasiões. De acordo com a investigação, não foram identificadas justificativas operacionais para os deslocamentos.
A frequência das visitas reforçou a suspeita de que o estabelecimento pudesse funcionar como ponto de recebimento de materiais desviados. Agora, a polícia procura esclarecer quem autorizava os trajetos, quais equipamentos foram transportados e se outras pessoas participaram da possível comercialização irregular do cobre.
Polícia apura possível atuação coordenada
A Operação Blackout busca identificar se os furtos foram praticados de maneira organizada e qual teria sido a função de cada investigado.
Uma das suspeitas é de que veículos e recursos utilizados nas atividades da concessionária tenham facilitado a retirada e o transporte dos cabos. O cobre possui valor comercial e costuma ser alvo de furtos destinados à revenda irregular.
Além das perdas financeiras, a retirada de cabos pode comprometer a infraestrutura elétrica e provocar interrupções no fornecimento de energia. A polícia ainda deverá esclarecer a extensão dos desvios e verificar se os episódios investigados causaram prejuízos diretos aos consumidores.
A inclusão dos funcionários na investigação não significa que tenham cometido crimes. A eventual responsabilização dependerá das provas reunidas.
Light diz que funcionários foram desligados
Em nota, a Light informou que os funcionários relacionados às suspeitas já foram desligados da empresa. A concessionária afirmou que adota medidas internas quando identifica possíveis irregularidades e comunica os casos às autoridades competentes.
A empresa também declarou que está colaborando com a investigação. A denúncia que deu origem ao inquérito foi apresentada pela própria Light, após a identificação do furto de cabos na Zona Sul.
Investigação continua após as buscas
Os materiais recolhidos durante a operação serão analisados para aprofundar a apuração sobre os suspeitos.
Os policiais também deverão examinar registros de deslocamento, documentos e possíveis movimentações relacionadas ao ferro-velho apontado como destino dos cabos. O objetivo é identificar os responsáveis pela retirada, pelo transporte e pela eventual revenda dos materiais.
Até o momento, não há informação de prisões realizadas nesta etapa da Operação Blackout. A investigação permanece em andamento, e novas medidas poderão ser solicitadas à Justiça conforme o resultado das diligências.
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