O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que o país não pretende reparar o oleoduto Druzhba, infraestrutura responsável por transportar petróleo russo para países da Europa Central, como Hungria e Eslováquia. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa na quinta-feira e ocorre em meio a pressões diplomáticas e econômicas envolvendo o fornecimento de energia na região.
Segundo Zelensky, não há intenção de restaurar o funcionamento da estrutura danificada, mesmo diante da insistência de governos europeus que dependem do petróleo transportado pela rede de dutos. O presidente afirmou que já comunicou sua posição a lideranças europeias e representantes da União Europeia.
O oleoduto Druzhba, um dos maiores sistemas de transporte de petróleo do mundo, teve as operações interrompidas no dia 27 de janeiro após danos registrados em uma estação de bombeamento na região de Lviv, no oeste da Ucrânia. Autoridades ucranianas afirmam que o incidente foi provocado por um ataque de drone russo, que gerou incêndios e danos significativos em equipamentos internos do sistema, incluindo sensores e outros componentes técnicos.
De acordo com o ministro da Energia da Ucrânia, Denys Shmyhal, os danos causados exigiriam reparos complexos. Ainda assim, Zelensky afirmou que a Ucrânia teria capacidade técnica para restaurar o funcionamento do oleoduto em aproximadamente um mês ou um mês e meio, mas destacou que não vê razões estratégicas ou de segurança para realizar o reparo neste momento.
A decisão intensificou o impasse diplomático dentro da União Europeia. Países como Hungria e Eslováquia pressionam pela retomada do fluxo de petróleo, enquanto Bruxelas tenta avançar em negociações sobre um pacote financeiro estimado em 90 bilhões de euros destinado ao apoio à Ucrânia.
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, sinalizou que pode bloquear decisões favoráveis a Kiev dentro da União Europeia enquanto o oleoduto permanecer inoperante. O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, afirmou nas redes sociais que o país pretende vetar o pacote financeiro enquanto o fornecimento de petróleo não for retomado.
A Eslováquia também criticou a situação. O primeiro-ministro Robert Fico classificou o impasse como uma forma de pressão política e anunciou a suspensão de exportações emergenciais de eletricidade para a Ucrânia.
Em meio ao impasse, autoridades europeias discutem a possibilidade de financiar os reparos da infraestrutura, numa tentativa de aliviar as tensões entre Kiev e os países que dependem do oleoduto.
O conflito envolvendo a estrutura energética ganhou novos contornos após relatos de ataques contra instalações ligadas ao próprio sistema Druzhba em território russo. De acordo com informações citadas por agências internacionais, drones ucranianos atingiram uma estação de bombeamento na região do Tartaristão, considerada um importante ponto de abastecimento do oleoduto.
Após o ataque, a operadora russa Transneft teria reduzido o fluxo de petróleo em cerca de 250 mil barris por dia.
Zelensky afirmou ainda que representantes da União Europeia indicaram informalmente que o empréstimo bilionário destinado à Ucrânia poderia ser condicionado ao início dos reparos no oleoduto. O presidente disse que aguarda uma solicitação oficial do bloco sobre o tema.
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