O Vaticano anunciou a criação de uma comissão dedicada exclusivamente à análise e ao acompanhamento dos impactos da inteligência artificial na sociedade.
A iniciativa foi determinada pelo Papa Leão XIV e busca orientar o posicionamento da Igreja Católica diante do avanço acelerado das novas tecnologias.
Segundo informações divulgadas pelo Vatican News, o novo organismo será responsável por monitorar o desenvolvimento da inteligência artificial e elaborar diretrizes sobre o uso dessas ferramentas dentro da Santa Sé. A comissão reúne representantes de sete instituições do Vaticano, incluindo quatro dicastérios e três Pontifícias Academias.
Participam do grupo os dicastérios para o Desenvolvimento Humano Integral, Doutrina da Fé, Cultura e Educação, além do setor de Comunicação. Também integram a comissão as Pontifícias Academias para a Vida, de Ciências e de Ciências Sociais.
O modelo de coordenação funcionará em mandatos anuais renováveis. Caberá ao papa definir, a cada período, qual instituição ficará responsável pela liderança dos trabalhos.
O órgão coordenador terá a missão de promover o intercâmbio de informações, incentivar a colaboração entre os setores e elaborar orientações sobre o uso da inteligência artificial nas estruturas do Vaticano.
A criação da comissão reflete a preocupação crescente da Igreja Católica com os impactos sociais, éticos e humanos provocados pelas novas tecnologias.
Em comunicado, o Vaticano destacou que a decisão foi motivada pelo avanço acelerado desses sistemas e pelos possíveis efeitos sobre a humanidade, especialmente no que diz respeito à preservação da dignidade humana.
O tema tem ocupado espaço recorrente nos discursos do Papa Leão XIV desde o início de seu pontificado.
O líder religioso já expressou preocupação com os desafios éticos da inteligência artificial, sobretudo em temas relacionados ao trabalho, à justiça social e à proteção das pessoas diante das transformações tecnológicas.
Pouco depois de assumir o comando da Igreja, em maio do ano passado, Leão XIV explicou aos cardeais que escolheu seu nome em referência ao Papa Leão XIII, que enfrentou os impactos sociais da Revolução Industrial no fim do século XIX.
A inspiração, segundo o pontífice, está ligada à necessidade de a Igreja oferecer respostas a uma nova transformação histórica, agora marcada pela expansão da inteligência artificial.
Para Leão XIV, a doutrina social católica deve contribuir para o debate sobre os efeitos da tecnologia na dignidade humana, no mercado de trabalho e nas relações sociais.
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