Dois séculos após o surgimento da Doutrina Monroe, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece reviver os capítulos mais sombrios da política de intervenção americana na América Latina. A doutrina, criada em 1823 por James Monroe, defendia a não interferência mútua entre potências europeias e o continente americano — mas, na prática, se transformou em um instrumento de hegemonia de Washington.
Ao longo da história, o princípio foi usado para justificar golpes de Estado, intervenções militares e pressões econômicas em diversos países da região. O apoio ao golpe de 1964 no Brasil, a separação do Panamá da Colômbia e a invasão de Granada em 1983 são exemplos de como os EUA moldaram o continente segundo seus próprios interesses.
Agora, Trump retoma essa tradição ao ameaçar o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela. Na mesma semana em que tentou se apresentar como pacifista no Oriente Médio, o republicano autorizou a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano e mobilizou uma força-tarefa sem precedentes em três décadas.
A ofensiva inclui a presença de bombardeiros nucleares B-52 próximos a Caracas, em uma exibição de poder que ecoa os anos da Guerra Fria. Segundo o jornal The New York Times, a autorização para ações furtivas foi confirmada pelo próprio presidente.
Trump tem misturado elementos da antiga “guerra às drogas” com a “guerra ao terror” para justificar uma nova política externa agressiva. Sob o argumento de combater o narcotráfico, ele passou a classificar cartéis como organizações terroristas — o que, na prática, permite o uso de força militar sem aprovação do Congresso.
Até agora, 27 pessoas morreram nas operações, mas há dúvidas sobre quem eram as vítimas. Especialistas avaliam que Trump pode estar blefando, usando o discurso militar como forma de pressão política. Ainda assim, o gesto reacende um paradigma perigoso: o retorno das intervenções armadas norte-americanas na América Latina.
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