Pouco mais de um dia após a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na prisão de Nicolás Maduro, o presidente americano Donald Trump voltou a colocar no centro do debate uma de suas propostas mais controversas de política externa: a incorporação da Groenlândia ao território dos EUA.
A declaração causou novo desgaste diplomático com a Dinamarca e gerou respostas imediatas de autoridades europeias e do governo local da ilha.
Em entrevista concedida à revista The Atlantic no domingo (4), Trump afirmou que a Groenlândia tem papel estratégico para a segurança nacional americana. Ao ser questionado se a ação recente na Venezuela sinalizaria uma postura mais intervencionista dos Estados Unidos, o presidente foi enfático ao defender a importância da ilha no Ártico. Segundo ele, a posição geográfica do território é essencial para a defesa do país.
A Groenlândia é um território semiautônomo ligado ao Reino da Dinamarca e há anos desperta interesse de Washington não apenas pela localização estratégica, mas também por suas reservas de recursos naturais e minerais considerados valiosos. O
tema voltou a ganhar destaque no sábado (3), quando Katie Miller, esposa de Stephen Miller, chefe de gabinete da Casa Branca, publicou nas redes sociais uma imagem da ilha com as cores da bandeira americana acompanhada da palavra “Soon” (“em breve”).
A publicação gerou forte repercussão. O embaixador da Dinamarca nos Estados Unidos, Jesper Moller Sorensen, respondeu afirmando que os dois países mantêm uma aliança histórica e que a cooperação no Ártico deve continuar.
Ele destacou que o governo dinamarquês tem ampliado os investimentos na região, reforçando o compromisso com a segurança conjunta e o respeito à integridade territorial do Reino da Dinamarca.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, também criticou a postagem, classificando-a como desrespeitosa. Em declaração pública, afirmou que a soberania do território não está em negociação e que o futuro do país não pode ser tratado como objeto de especulação política ou publicações em redes sociais.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reforçou a posição do governo dinamarquês e afirmou que não há qualquer sentido em discutir a possibilidade de controle americano sobre a Groenlândia.
Ela lembrou que a Dinamarca é membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e pediu que os Estados Unidos encerrem o que classificou como ameaças a aliados históricos.
As declarações se somam a uma série de atritos diplomáticos entre Washington e Copenhague, intensificados desde o início do segundo mandato de Trump. O interesse do presidente pela Groenlândia remonta ao seu primeiro governo, quando chegou a sugerir publicamente a compra do território. D
esta vez, porém, o tom adotado foi mais duro, com Trump afirmando que não descartaria o uso da força militar para assumir o controle da ilha.
Em março, o vice-presidente J.D. Vance visitou uma base militar americana na Groenlândia e criticou o nível de investimentos da Dinamarca na região. Meses depois, em agosto, o governo dinamarquês convocou o principal diplomata dos EUA após a divulgação de um relatório que apontava atividades de espionagem na ilha atribuídas a aliados de Trump.
No fim de dezembro, a indicação do governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial dos Estados Unidos para a Groenlândia voltou a elevar a tensão entre os países.
Autoridades dinamarquesas e groenlandesas reiteraram a exigência de respeito à soberania do território, sinalizando que o tema seguirá como um dos pontos mais sensíveis da relação diplomática entre Estados Unidos e Dinamarca.
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