O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo norte-americano oferecerá “segurança total” às empresas petrolíferas interessadas em investir na Venezuela, numa tentativa de atrair até US$ 100 bilhões para a reconstrução da infraestrutura do setor energético do país sul-americano. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, na sexta-feira, com a presença de executivos de grandes companhias do setor, como Chevron, ExxonMobil e ConocoPhillips.
Trump voltou a defender que a derrubada de Nicolás Maduro abriu uma oportunidade inédita para a exploração das vastas reservas de petróleo venezuelanas. Segundo ele, embora o país seja atualmente “ininvestível”, a garantia de proteção política e jurídica por parte dos Estados Unidos pode mudar esse cenário rapidamente. O presidente ressaltou que os recursos não sairão do governo federal, mas das próprias empresas, desde que elas se sintam seguras para atuar no país.
“O plano é que as gigantes do petróleo invistam pelo menos US$ 100 bilhões do próprio dinheiro. Elas não precisam de recursos do governo, mas precisam de proteção e segurança”, afirmou Trump, acrescentando que há outros grupos empresariais dispostos a ocupar o espaço caso os atuais interessados recuem.
Apesar do discurso otimista do presidente, analistas do setor demonstram cautela quanto à possibilidade de investimentos dessa magnitude em curto prazo. Trump chegou a sugerir que a produção de petróleo venezuelana poderia ser ampliada em até 18 meses, avaliação considerada excessivamente otimista por especialistas.
Durante o encontro, executivos das empresas presentes sinalizaram interesse, mas condicionaram os aportes a mudanças estruturais no ambiente jurídico e regulatório do país. Mark Nelson, vice-presidente da Chevron, afirmou que a companhia mantém operações na Venezuela por meio de quatro joint ventures e que teria capacidade de dobrar imediatamente sua produção nessas parcerias.
Já o CEO da ExxonMobil, Darren Woods, foi mais cauteloso. Ele afirmou que a Venezuela ainda não oferece condições adequadas para novos investimentos, mas disse acreditar que, com o apoio do governo dos EUA, reformas legais e comerciais possam tornar o país novamente atrativo. “Hoje, a Venezuela não é investível”, declarou.
O presidente da ConocoPhillips, Ryan Lance, também adotou um tom moderado, destacando que há potencial para uma recuperação rápida da indústria petrolífera, mas lembrou que a empresa ainda é credora de cerca de US$ 12 bilhões em dívidas da Venezuela. Trump afirmou que essas pendências serão resolvidas, mas sinalizou que o foco será no futuro, e não em compensações por perdas passadas.
A Venezuela detém uma das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas sua produção despencou nas últimas décadas devido à falta de investimentos, deterioração da infraestrutura e instabilidade política. Apesar de Maduro responder a acusações de narcoterrorismo nos Estados Unidos, Trump tem reforçado o discurso de que Washington controlará a comercialização do petróleo venezuelano por tempo indeterminado.
Segundo a Casa Branca, toda a exportação de petróleo do país passará por canais aprovados pelos Estados Unidos, alinhados aos interesses de segurança nacional. O governo norte-americano também anunciou que irá gerenciar a venda do petróleo bruto apreendido recentemente.
Enquanto isso, o mercado global de energia segue pressionado por um excedente de oferta. Nos Estados Unidos, os preços médios dos combustíveis estão cerca de 25 centavos mais baixos do que no mesmo período do ano passado, fator que Trump cita como benefício direto da ampliação do controle sobre a produção venezuelana.
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