O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na sexta-feira (31) que as negociações com a Dinamarcaenvolvendo a Groenlândia teriam sido concluídas com sucesso. Segundo Trump, trata-se de um “acordo muito importante” sob a ótica da segurança nacional americana. As declarações, no entanto, foram prontamente contestadas por autoridades dinamarquesas, que reforçaram que a transferência de soberania do território não está em discussão.
A declaração foi feita a jornalistas a bordo do Air Force One. Trump disse que as conversas avançaram, que há consenso em “várias questões” e que países europeus também desejam que os Estados Unidos finalizem um acordo. O presidente não detalhou os termos negociados.
As falas ocorrem após reuniões diplomáticas realizadas a partir de 29 de janeiro, em Washington, entre representantes dos Estados Unidos, da Dinamarca e da Groenlândia. O ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, classificou os encontros como construtivos e disse que o clima é mais otimista do que nas semanas anteriores, mas destacou que o impasse central permanece.
Segundo Rasmussen, tanto a Dinamarca quanto a Groenlândia mantêm posição firme contra qualquer debate sobre cessão de soberania. Ele afirmou que o país reconhece as preocupações de segurança dos EUA no Ártico, mas que esse tema deve ser tratado por meio de cooperação estratégica, não por mudanças territoriais.
Tensão recente e recuo de Trump
As negociações ocorrem após um mês de forte tensão diplomática. Em declarações anteriores, Trump chegou a sugerir o uso de força militar para anexar a Groenlândia, além de ameaçar tarifas contra países europeus e questionar compromissos de aliados da OTAN. As falas provocaram reações negativas generalizadas.
Durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, em 21 de janeiro, o presidente suavizou o discurso, descartando o uso de força militar e recuando de ameaças tarifárias após reunião com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte.
Impacto na OTAN e críticas internacionais
Apesar da retomada do diálogo, analistas apontam que o episódio causou desgaste à aliança atlântica. A pesquisadora Sophia Besch, do Carnegie Endowment for International Peace, avaliou que a crise ultrapassou limites simbólicos e deixou danos duradouros à confiança entre aliados.
A crise também foi explorada por adversários geopolíticos. O chanceler russo, Sergey Lavrov, afirmou que o episódio revela uma “crise profunda” na OTAN, enquanto representantes do Kremlin disseram que a unidade transatlântica estaria enfraquecida.
Nos Estados Unidos, a controvérsia gerou críticas bipartidárias. As senadoras Jeanne Shaheen e Lisa Murkowskiescreveram em artigo que ameaças à Groenlândia e à OTAN prejudicam os interesses americanos e transmitem imprevisibilidade aos aliados.
Já o secretário de Estado Marco Rubio declarou ao Senado que as negociações seguem de forma profissional e direta. Ele disse estar otimista quanto a um desfecho positivo e defendeu que a OTAN passe por uma reformulação, com maior responsabilidade europeia na defesa do continente.
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