Um antigo templo dedicado ao deus Shiva foi destruído pela força do rio Ganges no domingo (6), na região de Ratua, distrito de Malda, em Bengala Ocidental, na Índia. A construção não resistiu ao avanço da erosão nas margens e acabou desabando diretamente dentro do rio.
O momento foi registrado em vídeos feitos por moradores e rapidamente ganhou as redes sociais. A repercussão chegou a levantar dúvidas sobre a possibilidade de as imagens terem sido manipuladas, mas veículos de comunicação indianos confirmaram que o desabamento realmente aconteceu.
O templo ficava na localidade de Muniramtola, também conhecida como Muliramtola ou Muliram Tola, na área de Ratua-I. Segundo o Times of India, a construção tinha aproximadamente 175 anos e vinha sofrendo com o avanço da erosão desde o ano passado.
Margem do rio perdeu sustentação
A situação se agravou no sábado (5), quando uma grande faixa da margem do Ganges começou a desmoronar. Com o aumento do volume de água e a força da correnteza, o solo perdeu estabilidade e deixou de sustentar a estrutura.
No dia seguinte, o terreno cedeu de vez. O templo foi arrastado para dentro do rio e desapareceu entre as águas.
As imagens mostram justamente esse momento: a margem começa a ruir e, em poucos instantes, a construção é levada pela correnteza.
O problema, porém, não se limita ao templo. A erosão vem provocando danos em diferentes pontos do distrito de Malda. Em agosto, cerca de 40 casas foram destruídas na localidade de Jittutola depois que partes da margem do Ganges desabaram.
Enchentes agravam situação na região
O desaparecimento do templo ocorreu em meio a um período de enchentes que atingem a região. De acordo com o Times of India, o nível do Ganges poderia continuar subindo até 9 de setembro, impulsionado pelo grande volume de água que chega de áreas do estado de Bihar.
Na ilha de Bhutni, também em Malda, o rompimento de um dique aumentou ainda mais os problemas. Comunidades foram atingidas pelas águas e moradores precisaram deixar suas casas em busca de locais seguros.
Em Ratua, mais de 1,7 mil pessoas já haviam sido encaminhadas para centros de assistência montados em escolas, segundo informações divulgadas pela imprensa local.
Erosão ameaça casas, escolas e outros templos
A erosão das margens do Ganges é um problema antigo em Malda. Ano após ano, comunidades próximas ao rio perdem áreas de terra, plantações e construções.
Além das residências, escolas e locais religiosos também estão entre as estruturas ameaçadas pelo avanço das águas.
No fim de agosto, reportagens locais apontaram que pelo menos nove escolas das regiões de Manikchak e Ratua-I estavam sob risco devido à erosão.
Outro episódio ocorreu poucos dias antes, em 2 de setembro. Um templo centenário dedicado à deusa Durga foi levado pelas águas durante um desmoronamento da margem em Raghopur, no distrito de Bhagalpur, em Bihar.
As autoridades relacionam o agravamento do cenário ao aumento do nível do Ganges, às mudanças no fluxo do rio e à força das correntes.
Vídeos do desabamento são reais
A velocidade com que as imagens do templo começaram a circular fez com que usuários das redes sociais questionassem se os vídeos eram verdadeiros.
Relatos publicados por diferentes veículos da imprensa indiana, no entanto, confirmam que a construção realmente desabou e foi levada pelo Ganges. Também existem registros feitos de diferentes pontos, o que reforça a ocorrência do episódio.
Há uma pequena divergência nas informações sobre a idade do templo. Algumas publicações apontam que a construção teria cerca de 150 anos, enquanto o Times of India estima aproximadamente 175 anos.
Por isso, a descrição como uma construção centenária é a forma mais segura de se referir ao templo sem atribuir uma idade exata que não é confirmada de maneira uniforme pelas fontes.
O desabamento expõe mais uma vez os impactos da erosão sobre as comunidades que vivem às margens do Ganges. Em uma região já afetada por enchentes e pela elevação do nível do rio, a perda de território coloca em risco não apenas casas e áreas agrícolas, mas também escolas, templos e outras estruturas utilizadas pela população.
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