A execução de Christa Pike, de 50 anos, ganhou uma nova reviravolta nesta quarta-feira (30), no Tennessee, nos Estados Unidos. Pouco antes do horário previsto para a aplicação da injeção letal, a Corte de Apelações do Sexto Circuito havia determinado uma suspensão temporária. Horas depois, porém, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a medida e autorizou o estado a prosseguir com a execução.
Pike estava programada para receber a injeção letal às 10h, no horário local, no Riverbend Maximum Security Institution, em Nashville. O Departamento de Correção do Tennessee já havia organizado a estrutura para o procedimento e selecionado representantes da imprensa para acompanhar a execução como testemunhas.
A suspensão concedida pelo Sexto Circuito ocorreu cerca de uma hora antes do horário marcado. Os magistrados decidiram dar mais tempo para analisar argumentos da defesa relacionados à alegação de que o histórico de abusos sexuais e violência sofridos por Pike durante a infância não teria sido devidamente considerado na fase de sentença.
O Tennessee recorreu à Suprema Corte para derrubar a suspensão. O tribunal superior aceitou o pedido do estado e liberou a execução, revertendo a decisão emergencial do tribunal de apelações. O caso foi registrado na pauta da Suprema Corte como uma ação envolvendo pena capital.
Condenação pela morte de Colleen Slemmer
Christa Pike foi condenada à pena de morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em 1995. Pike tinha 18 anos na época. Ela e o então namorado, Tadaryl Shipp, foram condenados pela morte da jovem, que era colega dos dois em um programa de treinamento profissional em Knoxville.
Segundo os registros do caso, Slemmer foi levada para uma área isolada e sofreu agressões antes de morrer. A acusação apontou que o crime estava relacionado ao ciúme de Pike e à suspeita de que Slemmer tivesse interesse em seu namorado.
A defesa não contesta a participação de Pike no assassinato, mas sustenta que circunstâncias relacionadas à idade que ela tinha quando cometeu o crime, ao histórico de violência e abusos sofridos durante a infância e à sua saúde mental deveriam ter sido consideradas de maneira mais ampla na definição da pena.
Os advogados também questionaram aspectos relacionados ao protocolo de execução utilizado pelo Tennessee e afirmaram que as condições físicas e psicológicas de Pike poderiam provocar sofrimento incompatível com as garantias constitucionais. Parte dessas questões permanece em disputa judicial.
Pedido de clemência foi rejeitado
Antes da batalha judicial desta quarta-feira, Pike também havia solicitado clemência ao governador do Tennessee, Bill Lee. O pedido foi rejeitado em 28 de setembro.
Lee afirmou que, após analisar o caso, não pretendia interferir na execução da sentença. Com a decisão do governador e a negativa anterior da Suprema Corte ao pedido de suspensão apresentado pela defesa, o procedimento permaneceu marcado para esta quarta-feira.
Primeira mulher executada pelo Tennessee em mais de 200 anos
Caso a execução seja efetivamente realizada, Pike será a primeira mulher executada pelo estado do Tennessee em aproximadamente dois séculos. Registros históricos indicam que a última execução de uma mulher no estado ocorreu há mais de 200 anos, embora especialistas ressaltem que os registros históricos do período são incompletos.
A execução também seria a primeira no Tennessee, na era moderna da pena de morte, de uma pessoa condenada por um crime cometido aos 18, 19 ou 20 anos, segundo o Death Penalty Information Center.
O caso ganhou repercussão nos Estados Unidos por envolver uma condenada que tinha apenas 18 anos quando cometeu o crime e cuja defesa vem questionando há anos a consideração dada ao seu histórico de abusos e às condições psicológicas no momento da condenação.
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