A expulsão de dez integrantes da missão russa na Hungria abriu nesta terça-feira (8) uma nova frente de tensão entre Budapeste e Moscou. O governo húngaro afirma que os funcionários exerceram atividades incompatíveis com o status diplomático e determinou que deixem o país. A Rússia reagiu prometendo uma resposta “dura e dolorosa”.
Mais do que um episódio isolado entre duas chancelarias, a decisão chama atenção pela mudança de postura da Hungria. Durante os anos de Viktor Orbán no poder, Budapeste manteve uma relação próxima com Moscou mesmo depois da invasão da Ucrânia, iniciada em 2022, e evitou acompanhar outros países europeus em sucessivas expulsões de diplomatas russos. A medida desta terça é a primeira desse tipo anunciada publicamente pelo país desde 2018.
A ministra das Relações Exteriores, Anita Orbán — que não tem parentesco com o ex-primeiro-ministro — disse que os dez representantes russos realizaram atividades consideradas incompatíveis com as regras da Convenção de Viena. O governo não informou quais condutas motivaram a decisão nem apresentou publicamente detalhes sobre as acusações.
Segundo a chanceler, a retirada dos diplomatas busca proteger a “segurança e a soberania” da Hungria. Budapeste, porém, fez questão de sinalizar que não pretende romper relações com a Rússia e que os canais de diálogo continuarão abertos.
Moscou respondeu em tom mais agressivo. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, afirmou que a reação ao que classificou como “lobby russófobo em Budapeste” será “dura e dolorosa”. O governo russo ainda não detalhou quais medidas pretende adotar.
O embaixador da Rússia na Hungria, Evgeny Stanislavov, também criticou a expulsão e classificou a decisão como uma escalada sem precedentes e injustificada. Moscou indicou que haverá retaliação, mas ainda não informou se responderá com a retirada de diplomatas húngaros ou adotará outro tipo de medida.
Mudança de rumo em Budapeste
A crise ocorre poucos meses depois de Péter Magyar assumir o governo húngaro, encerrando 16 anos de Viktor Orbán no comando do país. A nova administração tem buscado recompor a relação com a União Europeia e reforçar a posição da Hungria dentro da UE e da Otan, embora afirme que pretende manter diálogo com Moscou.
Durante o governo anterior, a Hungria preservou uma relação econômica e política mais próxima com a Rússia do que a maioria dos integrantes da União Europeia. O país continuou comprando petróleo e gás russos e, em diferentes momentos, dificultou medidas europeias contra Moscou relacionadas à guerra na Ucrânia.
A expulsão dos dez diplomatas, portanto, ganha dimensão justamente por ocorrer nesse novo cenário político. Budapeste ainda evita falar em ruptura com a Rússia, mas a decisão representa um movimento mais duro contra Moscou do que o adotado pelo país nos últimos anos.
Agora, o próximo passo depende da resposta russa. Até esta terça-feira, Moscou havia confirmado apenas que retaliará a Hungria — sem revelar como nem quando.
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