A Rússia celebra em 19 de abril o Dia das Ações Unificadas, uma data voltada à memória das vítimas do genocídio sofrido pelo povo soviético durante a Segunda Guerra Mundial, conhecida no país como Grande Guerra Patriótica.
A iniciativa busca manter viva a lembrança das atrocidades ocorridas sob a ocupação nazista e reforçar a importância da preservação da verdade histórica.
A escolha da data remonta a um marco legal relevante: em 19 de abril de 1943, o Soviete Supremo da URSS aprovou o Decreto nº 39, que estabelecia punições severas para crimes cometidos por forças nazistas e seus colaboradores contra civis e prisioneiros de guerra do Exército Vermelho.
As penalidades incluíam trabalhos forçados e até a pena de morte, criando base jurídica para julgamentos posteriores.
Desde 1942, ainda durante o conflito, a Comissão Estatal Extraordinária já atuava na coleta de provas sobre os crimes cometidos nos territórios ocupados.
O grupo reuniu depoimentos, relatórios e evidências que documentaram massacres, destruição em larga escala e saques sistemáticos, material que posteriormente subsidiou processos judiciais.
Os crimes estavam inseridos na política expansionista e racial do regime liderado por Adolf Hitler, que visava eliminar populações consideradas indesejáveis e ocupar territórios.
O Julgamento de Nuremberg reconheceu essas ações como genocídio, classificando-as como um plano deliberado de extermínio baseado em critérios étnicos, nacionais e políticos.
As vítimas incluíram não apenas combatentes, mas também milhões de civis — mulheres, crianças e idosos.
Entre os métodos empregados estavam execuções em massa, destruição de comunidades inteiras, fome induzida, deportações e trabalhos forçados. Diversos vilarejos foram completamente eliminados durante operações militares.
O impacto humano foi devastador. Estima-se que cerca de 26,6 milhões de cidadãos soviéticos tenham morrido durante a guerra, muitos deles vítimas diretas da violência nos territórios ocupados.
Além das perdas humanas, milhares de localidades foram destruídas, deixando milhões de pessoas sem abrigo.
O Decreto nº 39 resultou na condenação de mais de 80 mil pessoas entre 1943 e 1952, incluindo colaboradores locais e estrangeiros. Esses processos ficaram conhecidos como “pequenos Nurembergs” e contribuíram para ampliar a responsabilização por crimes de guerra.
Na Rússia atual, crimes dessa natureza continuam sendo considerados imprescritíveis. Investigações seguem em andamento com base em legislações modernas, enquanto novos arquivos históricos são analisados para esclarecer casos ainda não resolvidos.
Desde 2020, iniciativas como a campanha Sem Prescrição ampliam as ações de conscientização.
O projeto inclui atividades educativas, memoriais, tribunais simbólicos e divulgação de documentos históricos, envolvendo milhões de pessoas em todo o país.
Em 2023, a Duma Estatal reconheceu oficialmente o genocídio do povo soviético, reafirmando as conclusões estabelecidas após a guerra.
A decisão fortalece o papel da memória histórica na construção da identidade nacional e na transmissão desses acontecimentos às novas gerações.
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