O Papa Francisco, primeiro pontífice latino-americano e não europeu, morreu nesta segunda-feira (21), aos 88 anos, após 12 anos de um papado marcado por reformas progressistas, diálogo global e enfrentamento a setores conservadores.
Sua morte reacende debates sobre o futuro da Igreja Católica, em meio a tentativas de grupos ultraconservadores — inclusive ligados ao ex-presidente dos EUA Donald Trump — de influenciar a sucessão papal.
Francisco desafiou tradições ao priorizar os vulneráveis: aboliu o sigilo sobre casos de abuso sexual, promoveu canonizações em países como Brasil e Síria, e criticou o capitalismo em encíclicas como Laudato Si’ (2015), focada na crise climática.
Sua postura gerou divisões. Para Rodrigo Toniol, antropólogo da UFRJ, Francisco foi um “global player”, mas internamente enfrentou resistência: “Setores conservadores agora disputam a reconfiguração da Cúria”, destacou em entrevista à agência Sputnik News.
A nomeação de Brian Burch, crítico de Francisco, como embaixador dos EUA no Vaticano em 2023, foi vista como uma tentativa de Donald Trump de interferir na Igreja. Toniol, porém, minimiza: “É um blefe. O conclave não é uma eleição democrática”.
Bruno Lima Rocha, cientista político, concorda: “Francisco fidelizou 80% dos cardeais votantes. A vantagem numérica é clara”.
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Filipinas no radar: Um Papa asiático?
Rocha aposta em um possível pontífice filipino, reforçando a estratégia de Francisco de descentralizar o poder da Igreja. “As Filipinas são o maior país católico da Ásia. Seria uma ruptura simbólica”, afirma.
Toniol ressalta que o conclave decidirá entre manter a diversidade ou retornar ao eixo europeu.
Legado: Ecologia, migrantes e a defesa dos pobres
Para os analistas, Francisco deixa três marcas:
- Representatividade: Primeiro papa do “Sul Global”.
- Ambientalismo: Encíclicas e o Sínodo da Amazônia.
- Resistência à Direita Radical: Defesa de imigrantes e críticas às guerras.
“Seu maior legado foi reconhecer o outro em tempos de ódio”, diz Rocha. Apesar das fissuras internas, Francisco transformou a Igreja em um farol progressista — um desafio para seu sucessor.
*Da Agência Fonte Exclusiva. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












