O temor de uma guerra de grandes proporções avançou de forma acelerada entre as principais ameaças globais, segundo novo levantamento das Nações Unidas.
O relatório divulgado nesta terça-feira (15) mostra que conflitos armados, inteligência artificial e concentração de poder tecnológico ganharam importância na percepção de especialistas, embora a falta de ação contra as mudanças climáticas continue sendo considerada o maior risco para o planeta.
A pesquisa ouviu cerca de 1,3 mil representantes de governos, empresas, organizações da sociedade civil e do sistema das Nações Unidas em 155 países. Ao todo, foram avaliados 28 riscos políticos, econômicos, ambientais, sociais e tecnológicos.
Guerra sobe 16 posições
Entre todos os problemas analisados, o risco de uma guerra em grande escala apresentou uma das mudanças mais expressivas.
Na comparação com a avaliação anterior, o tema avançou 16 posições no ranking de preocupações globais. Cerca de 36% dos participantes consideram que os efeitos de um conflito dessa dimensão podem atingir parte significativa da humanidade no prazo de um ano. Em um horizonte de sete anos, o percentual chega a aproximadamente 76%.
Os números representam a percepção dos especialistas consultados e não uma previsão de que uma guerra necessariamente ocorrerá.
O relatório também mostra que tensões geopolíticas e conflitos armados passaram a ocupar posição muito mais central na avaliação dos riscos internacionais.
Clima permanece como maior preocupação
Mesmo com o avanço das ameaças militares, a falta de medidas suficientes para enfrentar as mudanças climáticas continua sendo classificada como o mais importante dos 28 riscos analisados.
A ONU alerta que os problemas ambientais podem se conectar a outras ameaças, ampliando disputas por recursos naturais, deslocamentos populacionais, perdas econômicas e impactos sobre a produção de alimentos.
A redução relativa da preocupação com alguns riscos ambientais não significa, segundo o relatório, que esses problemas tenham diminuído. Outros temas apenas passaram a ocupar posições mais altas diante do cenário internacional atual.
Inteligência artificial preocupa especialistas
As ameaças relacionadas à tecnologia também ganharam força.
O relatório aponta aumento expressivo da preocupação com a inteligência artificial e outras tecnologias de fronteira, especialmente diante da possibilidade de concentração de poder econômico e político nas mãos de um número reduzido de empresas ou países.
A desinformação também permanece entre os problemas relevantes, devido à capacidade de conteúdos falsos ou manipulados de afetar instituições, processos políticos e a confiança pública.
A ONU vem alertando ainda que o avanço acelerado da inteligência artificial exige mecanismos de governança, transparência e fiscalização capazes de acompanhar a evolução tecnológica.
Sistema internacional é considerado pouco preparado
Outro dado chama atenção para a capacidade de resposta diante dessas ameaças.
A maioria dos entrevistados considera insuficientes os recursos destinados à prevenção e à redução dos riscos. Cerca de 86% afirmaram que o financiamento disponível não é adequado para enfrentar os desafios identificados.
Entre os principais obstáculos citados estão dificuldades de coordenação entre países, falta de consenso político, redução da confiança nas instituições e ausência de dados de qualidade para orientar decisões.
Pandemias perdem espaço entre preocupações
O levantamento também mostra uma mudança importante na percepção sobre ameaças sanitárias.
Seis anos depois da pandemia de covid-19, os riscos relacionados a novas pandemias e outras ameaças biológicas apresentaram a maior queda de importância entre os problemas pesquisados.
Isso não significa que novas epidemias tenham deixado de representar perigo, mas indica que conflitos, tecnologia e tensões geopolíticas passaram a receber maior atenção dos participantes.
Cooperação internacional é vista como principal saída
Apesar do cenário de maior instabilidade, os especialistas continuam apontando a ação conjunta entre governos como a forma mais eficaz de prevenir e administrar riscos globais.
A avaliação é de que problemas como guerras, crises econômicas, mudanças climáticas, ataques cibernéticos e riscos tecnológicos ultrapassam fronteiras e dificilmente podem ser enfrentados de maneira isolada por um único país.
O relatório reforça, portanto, a necessidade de ampliar investimentos em prevenção, melhorar os mecanismos de compartilhamento de informações e fortalecer a capacidade das instituições internacionais de responder a crises antes que elas atinjam proporções maiores.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.












