O Nepal enfrenta sua pior crise em décadas, após uma série de protestos violentos liderados pela Geração Z desencadearem o colapso do governo. Os atos começaram após o bloqueio de plataformas de redes sociais no país e rapidamente se transformaram em manifestações contra a corrupção, má governança, inflação e o agravamento das condições econômicas.
A medida que deu início à crise foi o bloqueio de plataformas como Facebook, Instagram, X (ex-Twitter), YouTube, Reddit, LinkedIn, Snapchat, Pinterest e Rumble, por não estarem registradas no Ministério das Comunicações e Tecnologia da Informação. A decisão do governo foi interpretada como um ato de censura e gerou forte indignação entre os jovens.
Os protestos, apelidados de “manifestações da Geração Z”, começaram de forma pacífica na capital Katmandu, mas se tornaram violentos após confrontos com a polícia, que utilizou canhões de água, gás lacrimogêneo e até munição real. Mesmo após o governo anunciar, nesta terça-feira (9), a revogação do bloqueio, a revolta já havia se espalhado por várias cidades do país.
Na escalada da violência, manifestantes invadiram e incendiaram o prédio do Parlamento em Katmandu, além de atacar a residência do primeiro-ministro, que também foi incendiada. Ministros foram evacuados com apoio do exército, diante da gravidade da situação.
Renúncia e mudança de regime
A pressão culminou na renúncia do primeiro-ministro Khadga Prasad Sharma Oli, formalizada por meio de uma carta enviada ao presidente Ram Chandra Poudel. Em sua declaração, Oli afirmou que a renúncia visa permitir que o país “dê novos passos em direção a uma solução política”.
Em entrevista à emissora RT, o analista geopolítico e ex-chefe de infantaria do Exército indiano, Shashi Asthana, destacou que o padrão de protestos que derrubou o governo nepalês se assemelha aos vistos em países como Sri Lanka e Bangladesh.
“É difícil acreditar que um movimento dessa magnitude seja exclusivamente autóctone. A corrupção, má governança e crise econômica são os verdadeiros gatilhos. A proibição das redes sociais foi apenas a faísca”, disse Asthana.
A agência Reuters classificou os distúrbios como a maior convulsão social vivida pelo Nepal desde a abolição da monarquia, em 2008. A instabilidade reflete as dificuldades do país himalaio, situado entre Índia e China, em consolidar sua jovem democracia diante de desafios econômicos e políticos persistentes.
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