As negociações de paz entre Ucrânia e Rússia, mediadas pelos Estados Unidos em Genebra, terminaram de forma inesperada nesta quarta-feira após apenas duas horas de reunião. O encontro trilateral não registrou avanços concretos no conflito que já dura quase quatro anos.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky acusou Moscou de prolongar deliberadamente o diálogo e criticou o presidente norte-americano Donald Trump por pressionar Kiev a fazer concessões sem impor exigências equivalentes à Rússia.
A rodada ocorreu um dia depois de uma sessão mais longa, de cerca de seis horas. O negociador russo Vladimir Medinsky classificou as conversas como “difíceis, mas pragmáticas”, enquanto autoridades ucranianas confirmaram a curta duração e ausência de resultados objetivos.
Segundo Zelensky, a Ucrânia continua disposta a buscar um acordo para encerrar a guerra, mas questiona o compromisso russo. O impasse central permanece territorial: Moscou controla cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a Crimeia e áreas do Donbas, e exige a retirada completa das forças ucranianas dessas regiões — condição rejeitada por Kiev.
Apesar da falta de consenso, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, afirmou que houve progresso e que as delegações atualizarão seus governos antes de novas reuniões, ainda sem data definida.
Enquanto diplomatas conversavam na Suíça, ataques russos continuaram. Na véspera do encontro, cerca de 400 drones e quase 30 mísseis atingiram 12 regiões da Ucrânia, deixando mortos e feridos. Na noite seguinte, novos bombardeios com drones e um míssil balístico foram registrados.
Representantes de segurança do Reino Unido, França, Alemanha e Itália acompanharam as tratativas. A expectativa é que novas rodadas ocorram, embora o cenário permaneça travado.
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