A Terra pode estar mais vulnerável a impactos de asteroides do que se imaginava. Durante uma conferência da Associação Americana para o Avanço da Ciência, realizada em Phoenix, nos Estados Unidos, especialistas ligados à NASA alertaram para a existência de milhares de objetos espaciais de tamanho médio que ainda não foram detectados pelos sistemas atuais de monitoramento.
Segundo Kelly Fast, diretora de Defesa Planetária da agência, estima-se que cerca de 25 mil asteroides de grande porte permaneçam desconhecidos. Embora não tenham potencial para provocar uma catástrofe global, esses corpos celestes seriam suficientes para devastar regiões inteiras caso atingissem áreas densamente povoadas.
A cientista explicou que muitos desses objetos são difíceis de localizar porque não refletem luz suficiente para serem observados com clareza pelos telescópios atuais. Em alguns casos, a detecção só seria possível quando já estivessem relativamente próximos da Terra, reduzindo drasticamente o tempo de resposta.
Para ampliar a capacidade de identificação, a NASA planeja lançar em 2027 o telescópio espacial Near-Earth Object Surveyor. Equipado para captar sinais térmicos, o instrumento deverá localizar até 90% dos asteroides e cometas próximos à Terra com mais de 140 metros de diâmetro, inclusive aqueles considerados escuros ou de difícil observação.
Apesar desse avanço tecnológico, especialistas reconhecem que a humanidade ainda não dispõe de um sistema pronto para desviar uma ameaça real com pouco tempo de antecedência. Nancy Chabot, pesquisadora da Universidade Johns Hopkins, afirmou que, se um asteroide potencialmente perigoso estivesse em rota de colisão hoje, não haveria meios imediatos de impedir o impacto.
Experimentos anteriores, como o teste de desvio realizado em 2022 contra o asteroide Dimorphos, demonstraram que a técnica pode funcionar. No entanto, ainda não existem missões operacionais preparadas para agir rapidamente diante de uma ameaça concreta.
O alerta reforça a necessidade de investimentos contínuos em monitoramento espacial e defesa planetária — basicamente porque evitar a extinção em massa costuma ser uma ideia razoável.
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