A líder da oposição venezuelana Maria Corina Machado foi anunciada nesta sexta-feira (10) como vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2025, por seus “esforços persistentes em favor da restauração pacífica da democracia e dos direitos humanos na Venezuela”, conforme divulgado pelo Comitê Nobel norueguês.
A premiação coloca a crise política venezuelana novamente sob os holofotes internacionais. Machado, uma das figuras mais proeminentes da oposição ao presidente Nicolás Maduro, teve atuação decisiva nas eleições de 2024, apoiando o candidato Edmundo González, que acabou derrotado.
Após a reeleição de Maduro, o governo venezuelano afirmou que Machado teria deixado o país e fugido para a Espanha — informação divulgada pelo próprio presidente, segundo o ministro da Comunicação da Venezuela, em publicação em seu canal no Telegram.
Conhecida por sua postura combativa e declarações polêmicas, Machado já defendeu abertamente sanções econômicas internacionais contra o governo de Maduro, argumentando que medidas externas seriam necessárias para pressionar o regime a restaurar a ordem democrática. Tal posicionamento levou o Ministério Público da Venezuela a abrir investigação contra ela, acusando-a de crime de lesa-pátria, em novembro de 2024.
Em pronunciamentos anteriores, a opositora afirmou que “para os Estados Unidos, a Venezuela é uma questão de segurança hemisférica”, o que gerou críticas por supostamente ignorar a soberania nacional. Além disso, segundo a imprensa local, Machado chegou a defender a possibilidade de uma intervenção militar estrangeira para remover Maduro do poder, classificando o governo venezuelano como uma “organização criminosa” com ligações com redes ilegais internacionais.
Repercussões internacionais
A premiação de Maria Corina Machado causou reações diversas na comunidade internacional. Enquanto líderes e ativistas de direitos humanos comemoraram a escolha como um gesto de apoio à luta democrática na Venezuela, outros a criticaram por seu histórico de apoio a medidas coercitivas externas.
Nos Estados Unidos, a Casa Branca reagiu à exclusão do ex-presidente Donald Trump da lista de vencedores com a frase “política antes da paz”, sinalizando descontentamento com a decisão do Comitê Nobel.
Já o presidente russo Vladimir Putin, em comentário irônico, disse que “o Nobel da Paz parece cada vez mais uma ferramenta de propaganda ocidental”, sem mencionar diretamente o nome de Machado.
O debate em torno do prêmio reflete a polarização em torno da política venezuelana e da figura de Maria Corina Machado, vista por uns como símbolo de resistência democrática e por outros como agente de interesses estrangeiros.
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