Homens armados sequestraram 303 alunos e 12 professores de uma escola católica particular no estado de Níger, no centro-norte da Nigéria, em um ataque ocorrido na sexta-feira (22), segundo autoridades locais. Algumas crianças conseguiram escapar, mas muitas ficaram reféns, algumas com apenas 10 anos de idade.
O presidente da seção do estado de Níger da Associação Cristã da Nigéria (CAN), reverendo Bulus Dauwa Yohanna, visitou a Escola St. Mary para se reunir com os pais das vítimas e confirmou a atualização do número de sequestrados após um censo final.
Medidas de segurança e contexto recente
Em resposta ao ataque, autoridades nigerianas fecharam temporariamente algumas escolas federais e estaduais no norte do país, como medida preventiva. A polícia afirmou estar mobilizando forças para resgatar os reféns e “varrendo as florestas” próximas à região.
O incidente ocorre em meio a uma série de ataques recentes na região:
- No estado vizinho de Kwara, homens armados atacaram uma igreja, matando ao menos duas pessoas e sequestrando fiéis;
- No estado de Kebbi, 25 alunas de um internato feminino foram sequestradas, e a vice-diretora da escola foi morta a tiros.
A Nigéria enfrenta uma onda de ataques de grupos armados, com sequestros em massa e violência motivada por disputas religiosas, comunitárias e étnicas, bem como conflitos entre agricultores e pastores.
Reação internacional e política de liberdade religiosa
O presidente dos EUA, Donald Trump, designou recentemente a Nigéria como “País de Preocupação Especial” sob a Lei Internacional de Liberdade Religiosa, alegando que o governo nigeriano teria tolerado violações sistemáticas da liberdade religiosa.
O secretário de defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que discutiu com autoridades nigerianas formas de combater a perseguição de cristãos por terroristas jihadistas.
Analistas destacam, no entanto, que tanto cristãos quanto muçulmanos têm sido vítimas de ataques, e que os incidentes violentos incluem massacres em mesquitas e ataques indiscriminados a comunidades civis.
Impacto local
A criadora de conteúdo nigeriana Eze Gloria Chidinma, cuja irmã mais nova estudava na escola e conseguiu escapar, criticou a ação das autoridades: “É traumático. Para ser sincera, eu realmente não acredito nas autoridades”. Ela também relatou que familiares foram sequestrados em incidentes anteriores, evidenciando a persistência do problema na região.
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