A reaproximação entre Estados Unidos e Venezuela após a captura de Nicolás Maduro, no início de janeiro, abriu espaço para negociações sobre a retomada da indústria petrolífera venezuelana. Apesar da pressão do governo norte-americano para acelerar aportes bilionários, grandes companhias do setor deixaram claro que não pretendem investir sem mudanças estruturais profundas no país.
Desde a posse da presidente interina Delcy Rodríguez, em 5 de janeiro, Caracas tem sinalizado disposição para retomar relações energéticas com Washington. A PDVSA confirmou que negocia a venda de petróleo aos Estados Unidos, em volumes que podem chegar a 50 milhões de barris. O Departamento de Energia americano informou que as exportações já começaram e que os recursos arrecadados estão sendo depositados em contas sob controle do governo dos EUA.
Mesmo com o avanço das negociações, executivos das principais petroleiras demonstraram cautela. Durante reunião na Casa Branca, Donald Trump cobrou investimentos de ao menos US$ 100 bilhões para recuperar a infraestrutura do setor. A resposta foi menos entusiasmada do que o esperado.
O CEO da Exxon Mobil, Darren Woods, afirmou que a Venezuela ainda não oferece segurança jurídica suficiente para novos aportes. A empresa teve ativos confiscados duas vezes no país e, segundo Woods, um retorno só seria possível com reformas profundas nas leis de hidrocarbonetos, garantias legais duradouras e proteção efetiva ao capital estrangeiro.
A Chevron, que mantém operações no país sob licença especial do governo americano, adotou tom mais moderado. A companhia avalia a possibilidade de ampliar sua produção em até 50% nos próximos dois anos, desde que haja previsibilidade regulatória e estabilidade operacional.
Paralelamente, o governo Trump impôs condições políticas para avançar na parceria. Entre elas estão o rompimento de relações da Venezuela com China, Rússia, Irã e Cuba, além da exigência de exclusividade nas parcerias energéticas com os Estados Unidos. A estratégia se apoia no enfraquecimento financeiro da PDVSA, que acumula estoques de petróleo sem mercado para escoamento.
Apesar de deter as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, a Venezuela enfrenta um colapso produtivo. A extração atual gira em torno de 1 milhão de barris por dia, menos de um terço do volume registrado no auge da indústria, em 1970. Especialistas alertam que anos de corrupção, sucateamento e sanções internacionais deixaram a infraestrutura em estado crítico.
Como gesto político, o governo interino anunciou a libertação de prisioneiros considerados políticos, medida celebrada por Trump, que afirmou ter suspendido novos ataques militares. A iniciativa, no entanto, foi duramente criticada por países da América Latina e da Europa, que classificaram a operação militar americana como uma grave violação da soberania venezuelana.
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