O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) analisa a aquisição de milhares de luvas equipadas com um sistema de descarga elétrica para uso durante operações de fiscalização migratória. Segundo informações divulgadas pela Associated Press nesta quarta-feira (12), o órgão poderá destinar até US$ 20 milhões à compra do equipamento, desenvolvido para auxiliar agentes em situações de confronto ou resistência.
Chamado de G.L.O.V.E., sigla em inglês para Generated Low Output Voltage Emitter, o dispositivo é produzido pela empresa Compliant Technologies. A tecnologia foi desenvolvida para manter a aparência semelhante à de uma luva convencional utilizada por agentes de patrulhamento, mas possui um mecanismo elétrico que pode ser acionado pelo próprio usuário.
O sistema é ativado por meio de um botão instalado na luva. Quando ligado, o equipamento pode transmitir uma descarga elétrica ao entrar em contato direto com a pele da pessoa abordada. Segundo informações apresentadas pela fabricante, o contato físico é indispensável para o funcionamento do mecanismo.
A empresa responsável pelo produto afirma que a descarga pode provocar uma sensação dolorosa em poucos segundos. A proposta é oferecer aos agentes uma alternativa para controlar indivíduos que apresentem comportamento considerado violento ou que resistam fisicamente durante uma intervenção.
Possível contrato chega a US$ 20 milhões
A proposta em análise pelo ICE prevê um valor máximo de US$ 20 milhões para a aquisição das luvas. De acordo com a reportagem da Associated Press, a contratação poderá ser realizada sem uma concorrência pública convencional, com uma decisão sobre o acordo prevista para sexta-feira (14).
O planejamento mencionado na reportagem também estabelece que os equipamentos sejam distribuídos aos agentes até março de 2026. A aquisição está inserida em uma estratégia de ampliação dos recursos disponíveis para profissionais que atuam em operações de fiscalização e contenção.
A quantidade exata de unidades e a distribuição entre os agentes deverão ser definidas nos termos finais da contratação. A previsão, porém, é de uma compra em grande escala, com milhares de equipamentos e um limite financeiro de US$ 20 milhões.
Como funciona a luva
O G.L.O.V.E. foi concebido para reunir características de uma luva de patrulhamento tradicional e um sistema de emissão de descarga elétrica. Em condições normais, o equipamento pode ser utilizado como uma luva convencional, enquanto a função elétrica permanece desativada.
Quando o agente aciona o mecanismo, a descarga é transmitida durante o contato direto com a pele. A tecnologia, portanto, depende da aproximação física entre o agente e a pessoa que está sendo contida.
Segundo a descrição da fabricante, o equipamento foi pensado para situações nas quais o agente precise controlar fisicamente uma pessoa considerada uma ameaça ou que esteja oferecendo resistência. O uso de uma tecnologia desse tipo, entretanto, levanta discussões sobre os métodos empregados em ações de contenção.
Uso em operações migratórias gera atenção
A possibilidade de o ICE equipar seus agentes com milhares de luvas capazes de provocar descargas elétricas ocorre em meio à intensificação das operações de fiscalização migratória nos Estados Unidos. Nesse cenário, os equipamentos utilizados durante abordagens e detenções passaram a receber maior atenção pública.
A eventual adoção do G.L.O.V.E. acrescentaria uma nova ferramenta ao conjunto de recursos disponíveis para os agentes em situações de confronto. Ao contrário de equipamentos que precisam ser empunhados separadamente, a tecnologia fica incorporada à própria luva e pode ser acionada diretamente pela mão do profissional.
A proposta também chama atenção pelo volume do investimento. Caso o contrato alcance o teto previsto, o governo americano poderá desembolsar até US$ 20 milhões para adquirir as unidades.
Até o momento indicado na reportagem, a contratação ainda depende da decisão prevista para os próximos dias. Caso seja aprovada nos termos planejados, os equipamentos deverão ser distribuídos aos agentes do ICE conforme o cronograma estabelecido, com entrega prevista para março de 2026.
Debate sobre métodos de contenção
A utilização de dispositivos capazes de provocar dor por meio de descargas elétricas costuma integrar o debate sobre os limites e as condições para o emprego de tecnologias de contenção por agentes de segurança e fiscalização.
No caso do G.L.O.V.E., a justificativa apresentada está relacionada à necessidade de controlar indivíduos que representem risco ou apresentem resistência durante determinadas intervenções. O funcionamento do dispositivo, conforme a descrição disponibilizada pela fabricante, depende do contato direto com a pele.
A possível compra, portanto, representa não apenas uma aquisição de equipamentos, mas também a incorporação de uma tecnologia específica às operações de fiscalização migratória dos Estados Unidos. Os detalhes finais sobre quantidade, distribuição e condições de utilização deverão ser estabelecidos no processo de contratação.
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