O governo da França declarou nesta semana que se posicionará contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, em um momento crítico para as negociações que se arrastam há anos.
O anúncio foi feito pelo presidente Emmanuel Macron diretamente à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, antes da reunião decisiva do Conselho da UE, prevista para sexta-feira (9).
Mesmo após tentativas de Bruxelas de conquistar apoio francês, incluindo concessões financeiras significativas, como um aporte adicional de 45 bilhões de euros para a Política Agrícola Comum (PAC), Macron classificou o acordo como “impossível” de ser assinado em sua forma atual.
A posição da França contrasta com a de outros países, como a Itália, que demonstrou disposição de aprovar o pacto caso o gatilho de proteção agrícola seja reduzido para 5%.
A negativa francesa reflete pressões internas, especialmente de agricultores que voltaram a bloquear estradas em várias regiões. O setor rural teme que a abertura do mercado europeu para produtos do Mercosul possa prejudicar a produção local, aumentando a concorrência e afetando a renda dos produtores.
Com a possibilidade de que o acordo ainda seja aprovado por maioria qualificada no Conselho da UE, superando a oposição de Paris, o governo francês já traça estratégias políticas e jurídicas. A ministra da Agricultura, Annie Genevard, afirmou que está mobilizando deputados no Parlamento Europeu, onde o tratado precisará ser ratificado, e estuda acionar o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para questionar a legalidade do pacto.
Segundo Genevard, uma iniciativa do Parlamento teria mais capacidade de suspender a aplicação do acordo do que ações de um único país, reforçando a estratégia de Paris para proteger os interesses agrícolas nacionais e influenciar o resultado final do tratado.
O impasse francês aumenta a incerteza sobre o futuro do acordo UE-Mercosul, considerado um dos maiores pactos comerciais negociados pelo bloco europeu, e evidencia o conflito entre políticas internas dos Estados-membros e as estratégias de integração econômica internacional.
*Compartilhe este artigo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio de Janeiro.












