Cerca de 80% a 84% dos recifes de coral do planeta foram afetados pelo atual evento global de branqueamento, considerado o mais abrangente já registrado. As informações são baseadas em monitoramentos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e em levantamentos científicos internacionais divulgados ao longo de 2024 e 2025.
De acordo com a NOAA, o fenômeno começou em 2023 e já impactou recifes em dezenas de países e territórios. O percentual supera o grande evento registrado entre 2014 e 2017, que até então era considerado o mais severo da história recente.
O branqueamento ocorre quando os corais, submetidos a estresse térmico prolongado, expulsam as microalgas simbióticas responsáveis por sua coloração e por parte significativa de sua nutrição. Sem essas algas, os corais ficam esbranquiçados e enfraquecidos. Se a temperatura da água não retornar rapidamente a níveis adequados, pode haver mortalidade em larga escala.
Pesquisas científicas associam diretamente o fenômeno ao aumento da temperatura média dos oceanos, impulsionado pelas mudanças climáticas. Relatórios recentes apontam que 2023 e 2024 registraram recordes sucessivos de calor nos mares, criando condições ideais para eventos massivos de branqueamento.
No Brasil, iniciativas como o Projeto Coral Vivo e programas de monitoramento ligados a universidades federais também registraram episódios intensos de branqueamento em áreas do Nordeste, incluindo trechos do Rio Grande do Norte e de Fernando de Noronha. Em alguns pontos avaliados, a incidência ultrapassou 80% das colônias observadas.
Impacto ambiental e econômico
Os recifes de coral são considerados um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta, abrigando aproximadamente 25% das espécies marinhas conhecidas. Além da importância ecológica, desempenham papel fundamental na proteção do litoral contra erosão e tempestades e sustentam atividades econômicas como pesca artesanal e turismo.
Especialistas alertam que a repetição de eventos de calor extremo em intervalos cada vez menores reduz a capacidade de recuperação natural dos recifes. A persistência desse cenário pode levar à perda permanente de áreas inteiras, afetando cadeias alimentares marinhas e comunidades costeiras que dependem desses ambientes.
Organismos internacionais e centros de pesquisa reforçam que a principal medida para conter o avanço do branqueamento é a redução das emissões de gases de efeito estufa, responsável pelo aquecimento global. Sem ações estruturais de mitigação climática, a tendência é de que os episódios se tornem mais frequentes e intensos nas próximas décadas.
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