Especialistas chineses defenderam, nesta quinta-feira (3), a união dos países que compõem o BRICS para avançar conjuntamente no desenvolvimento de inteligência artificial (IA) e produção de energia sustentável. O tema foi discutido durante o seminário Diálogo Brasil-China sobre os BRICS e Cooperação Global em Finanças, IA e Transição Verde, promovido pelo Brics Policy Center da PUC-Rio e o Beijing Club for International Dialogue, no âmbito da 17ª Reunião de Cúpula do BRICS.
A China, país que lidera avanços tecnológicos dentro do bloco, chamou a atenção do mundo em 2025 ao apresentar a IA DeepSeek, que superou em acessos o ChatGPT, da OpenAI. A meta chinesa é se tornar líder global em IA até 2030.
“Os países do Sul global precisam desenvolver cooperação com fundos e recursos para criar parcerias e transferir tecnologia”, afirmou o professor Xiao Youdan, especialista em estratégias tecnológicas da Academia Chinesa de Ciências. Ele destacou ainda a necessidade de ampliar o uso dessas ferramentas para além dos países desenvolvidos.
O diretor do programa de Política Internacional do Instituto Nacional de Estratégia Global da Academia Chinesa de Ciências Sociais, Zhao Hai, ressaltou que a dominação tecnológica por países desenvolvidos limita o crescimento dos demais, aprofundando o abismo digital global. “Se os BRICS não se unirem, sofreremos as consequências dessa lacuna crescente”, alertou.
Representando a África do Sul, a pesquisadora Thelela Ngcetane-Vika apontou para os desafios da exclusão digital no continente africano, especialmente pela falta de infraestrutura adequada e desigualdades sociais. “Sem igualdade de condições, o acesso à tecnologia fica comprometido, dificultando o desenvolvimento da IA”, comentou.
Energia sustentável nos BRICS
O papel dos BRICS na transição energética também foi pauta do seminário. Segundo a professora Maria Elena Rodriguez, da PUC-Rio, os países do bloco são responsáveis por cerca de 74% do consumo global de carbono e apresentam realidades energéticas muito distintas — desde a forte dependência do carvão na China até o destaque do Brasil em energias renováveis, como biomassa.
“A transição energética precisa considerar as particularidades históricas, econômicas e geopolíticas de cada país para garantir uma transição socialmente justa”, defendeu Rodriguez, que também enfatizou a importância de uma cooperação concreta em financiamento, tecnologia e compartilhamento de conhecimento.
Para o chefe do departamento de relações internacionais da Universidade de Tsinghua, Tang Xiaoyang, a cooperação entre países, inclusive com economias avançadas como Europa e EUA, é fundamental para o crescimento conjunto. “O governo chinês vê essa cooperação não como ajuda, mas como um negócio que beneficia todas as partes”, explicou.
BRICS: Um bloco em expansão
O BRICS reúne atualmente 11 países-membros permanentes: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Também participam países-parceiros como Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Tailândia, Cuba, Uganda, Malásia, Nigéria, Vietnã e Uzbequistão.
Sob a presidência do Brasil, a 17ª Reunião de Cúpula do BRICS será realizada no Rio de Janeiro nos dias 6 e 7 de julho de 2025, reunindo líderes para avançar nos temas debatidos.
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