A Enel apresentou nesta segunda-feira (23) seu Plano Estratégico 2026-2028, prevendo investimentos de 53 bilhões de euros (R$ 322 bilhões), com prioridade para o fortalecimento das redes em países com “ambiente estável”.
Mais de 43 bilhões de euros (R$ 262 bilhões) serão aplicados na Europa e América do Norte, enquanto cerca de 9 bilhões de euros (R$ 55 bilhões) serão destinados à América Latina.
A divulgação ocorre em meio a críticas à operação da empresa na região metropolitana de São Paulo. Segundo reportagem da InfoMoney, o CEO Flavio Cattaneo afirmou que a rede aérea instalada entre árvores tem causado apagões frequentes durante tempestades, sugerindo soluções como redes subterrâneas ou poda de árvores.
Ele ressaltou que, nas condições atuais, apenas “Jesus Cristo” poderia evitar os cortes, pois a companhia teria feito tudo o que é “humanamente possível”.
A situação se agravou em dezembro de 2025, quando um vendaval deixou mais de 2,2 milhões de clientes sem energia na Grande São Paulo, com restabelecimento total em até cinco dias.
O episódio levou à fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e alertas do Ministério de Minas e Energia sobre a responsabilidade da Enel, incluindo risco de perda da concessão. O Tribunal de Contas da União recomendou avaliação detalhada da intervenção contratual, destacando a ineficácia de penalidades anteriores.
Em fevereiro de 2026, o governo de São Paulo, liderado por Tarcísio de Freitas, solicitou ao ministério e à Aneel a suspensão da renovação da concessão e a declaração de caducidade do contrato devido a falhas reiteradas.
Desde 2023, as ocorrências geraram a maior multa do setor, de R$ 165 milhões, suspensa por decisão judicial, além de outra de R$ 95,8 milhões, mantida pela Justiça Federal por falhas em 2021.
Um ofício da Aneel à Advocacia-Geral da União apontou R$ 320,8 milhões em penalidades, destacando que sete dos 11 planos de trabalho da Enel São Paulo foram considerados insatisfatórios.
A Enel, por sua vez, defende que o apagão de dezembro de 2025 não deve ser incluído na análise de caducidade e afirma colaborar de forma transparente para demonstrar o cumprimento de seus planos de recuperação.
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