A escalada do conflito no Oriente Médio após ataques envolvendo forças israelenses e norte-americanas contra o Irã tem provocado impactos significativos no transporte marítimo e na logística internacional. O bloqueio de rotas estratégicas e a paralisação de parte do tráfego marítimo no Golfo Pérsico deixaram milhares de navios comerciais parados na região.
Estimativas indicam que cerca de 3 mil embarcações mercantes estão impedidas de seguir viagem. Considerando uma média de 15 tripulantes por navio, aproximadamente 45 mil marinheiros permanecem retidos no mar, muitos deles originários de países como Filipinas e Índia, que não têm envolvimento direto no conflito.
Além das consequências econômicas e comerciais, organizações ambientais e de proteção animal também alertam para a situação de embarcações que transportam animais vivos. Segundo a ONG francesa Robin des Bois, especializada em monitoramento marítimo, pelo menos 70 mil animais — entre bovinos, ovelhas e cabras — estão presos em navios no Mediterrâneo Oriental e no Mar Vermelho.

Esses animais fazem parte do comércio internacional de gado vivo, exportado principalmente da América do Sul, da União Europeia e de países do Chifre da África para mercados do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Líbano, Jordânia, Iraque e Israel.
A ONG destaca que as condições a bordo desses navios costumam ser precárias mesmo em situações normais. Em momentos de crise, quando portos recusam desembarques ou rotas são bloqueadas, o cenário pode se tornar ainda mais crítico, com longos atrasos e aumento do risco sanitário.
Atualmente, ao menos seis navios carregados com animais já estão dentro da zona de conflito ou em rotas próximas. Entre eles estão embarcações como o Al Mabrouka-10, em Jeddah, na Arábia Saudita, o Mariona Star e o Mayar, ambos no Mar Vermelho, e o Maysora, que atravessa o Canal de Suez transportando milhares de cabeças de gado.
Outras embarcações também seguem em direção à região, incluindo o Karim Allah, que transporta cerca de 900 bovinos e se dirige ao Líbano, além do Galloway Express, vindo do Uruguai com destino a Israel.
Especialistas alertam que a interrupção das rotas marítimas pode afetar cadeias globais de suprimentos, especialmente nos setores de energia, combustíveis, matérias-primas industriais e alimentos. O aumento das tensões também amplia o risco de ataques a embarcações comerciais, principalmente no Mar Vermelho, onde rebeldes houthis já ameaçaram retaliar navios associados a países envolvidos no conflito.
Enquanto a situação geopolítica permanece instável, tripulações e cargas continuam presas no mar, aguardando autorização para atracar ou rotas seguras para prosseguir viagem.
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