A aviação comercial alcançou um novo marco com o início da operação do voo MU745, da China Eastern Airlines, que passa a deter o recorde do trajeto comercial mais longo já realizado. A rota conecta Xangai, na China, a Buenos Aires, na Argentina, e percorre cerca de 20 mil quilômetros em aproximadamente 26 horas, tornando-se também a primeira ligação direta entre dois pontos antípodas do planeta.
O itinerário inclui uma parada técnica de duas horas em Auckland, na Nova Zelândia, destinada ao reabastecimento e à troca de tripulação. Mesmo com a escala, os passageiros permanecem a bordo, o que reduz o tempo total de deslocamento entre China e América do Sul em mais de quatro horas em comparação a percursos tradicionais por Europa ou América do Norte.
O voo inaugural registrou ocupação de 96% e inaugurou um novo corredor logístico para cargas perecíveis. No sentido de retorno à China, o avião transportará 2,1 toneladas de cerejas argentinas e 10,5 toneladas de salmão chileno refrigerado.
Recordes e inovação tecnológica
Operado por um Boeing 777-39P, o novo serviço ultrapassa o recorde anterior da Xiamen Airlines, que mantinha o trajeto mais longo entre Nova York (JFK) e Fuzhou, com 19h20 de duração. Ele também supera voos ultralongos de referência global, como Singapura–Newark (19h10) e Singapura–JFK (18h55), da Singapore Airlines, além do Auckland–JFK da Air New Zealand (17h45).
Antes dessa nova conexão, viagens entre Xangai e capitais sul-americanas chegavam a ultrapassar 30 horas, segundo informações do jornal estatal Global Times.
Em comunicado, a China Eastern afirmou que a rota “elimina uma lacuna nas conexões diretas entre Xangai e grandes centros da América do Sul”, criando um “corredor sul” que atravessa três continentes e redesenha a geografia da malha aérea global.
A nova era dos voos ultralongos
A estreia da rota ocorre em meio a um movimento de expansão das ligações ultralongas, impulsionado por aeronaves de última geração — como o Airbus A350 e o Boeing 787 —, capazes de operar distâncias maiores com maior eficiência e menor consumo de combustível. Essas tecnologias têm estimulado companhias a oferecer rotas diretas mais longas, atendendo à demanda por viagens rápidas e com menos conexões.
O avanço da China Eastern ocorre antes mesmo da entrada em operação de outro projeto de grande porte no setor: a Qantas, que pretende lançar em 2027 o voo Sydney–Londres, com cerca de 15.200 km e duração prevista de 22 horas, utilizando o Airbus A350-1000ULR.
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