Nem a inflação foi capaz de derrubar as vendas da ‘queridinha’ dos brasileiros: a cerveja. Um relatório publicado recentemente pela Consumer Insights da Kantar, empresa especializada em dados, dimensiona o crescimento do mercado de cerveja no Brasil. Cinco milhões a mais de brasileiros passaram a consumir a bebida nos 12 meses terminados em março de 2022, se comparado ao ano móvel finalizado em março de 2021.
Outro levantamento do Euromonitor mostra que o volume de venda do produto subiu em 7,6%, com recorde com 14,3 bilhões de litros vendidos no ano passado. O setor estima encerrar 2022 festejando 15,4 bilhões de litros comercializados. Na lista de preferências dos consumidores, a cerveja faz mal ou bem à saúde?
“Depende da quantidade consumida”, resume a clínica geral e coordenadora da Emergência do Hospital Badim (RJ), Fernanda Souza. Segundo a médica, o etanol contido na bebida exerce efeito tóxico no organismo, quando ingerido em quantidade elevada.
“Essa substância pode acarretar prejuízo hepático, esteatose hepática, cirrose e causar efeitos cardiovasculares”, enumera a especialista. Uma dose padrão de cerveja contém dez gramas de etanol, que é gerado quando frutas ou grãos são fermentados no processo de produção da bebida alcoólica.
A revista científica Nature Communications também publicou um estudo liderado por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia (EUA) revelando que o consumo diário de álcool pode afetar as estruturas e o tamanho do cérebro.
Consumo diário pode acelerar o envelhecimento
A pesquisa comprova que beber cerveja todos os dias pode acelerar o processo de envelhecimento do cérebro, de acordo com dados obtidos com 36.678 pessoas, entre 40 e 69 anos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta a ingestão de no máximo 350 ml de bebida alcóolica para as mulheres, correspondente a uma latinha de cerveja, e de 700 ml para homens, ou seja, duas latinhas de cerveja por dia.
“O consumo em quantidade exagerada e diário gera efeito prejudicial à saúde. Além das complicações já citadas, a quantidade elevada de bebida alcoólica diminui a expectativa de vida, causando ainda dificuldade cognitiva”, diz Fernanda Souza.
A boa notícia para os fãs da loira gelada é que há benefícios no seu consumo. “Mas sempre quando ingerida em baixa quantidade”, alerta a médica.
“Ingerida de forma adequada, a cerveja pode estimular a produção do colesterol bom, o que repercute positivamente no sistema cardiovascular. O álcool tem efeito diurético, por isso equilibra o funcionamento renal e, consequentemente, previne a formação de cálculo renal. A cevada possui silício, que ajuda no fortalecimento do tecido ósseo”, explica a especialista.
Na terceira posição no ranking de maior mercado do segmento, o Brasil é celeiro das inovações, especialmente das cervejas premium sem álcool e sem glúten. Fernanda Souza considera que esses tipos de cerveja são mais saudáveis, especialmente para as pessoas que têm intolerância a essa proteína e ao álcool. Mas em qualquer circunstância a médica lembra: “beber somente com moderação”.












