Na segunda-feira (29) foi celebrado do Dia Nacional de Combate ao Fumo e para marcar a data, a Fundação do Câncer lançou a campanha “Cigarro Eletrônico: parece inofensivo, mas não é”, em parceria com a Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP) e a Ecoponte.
A mobilização é direcionada à população em geral, mas tem como público alvo os jovens. Por isso, vai levar às universidades um material informativo sobre os perigos do cigarro eletrônico. A iniciativa, que se estende até o final desse semestre, foi motivada por uma pesquisa do Ministério da Saúde que apontou que mais de 2 milhões de brasileiros fazem uso dos chamados dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), sendo a maior prevalência entre jovens entre 18 e 24 anos.
“O cigarro eletrônico é potencialmente perigoso para a saúde ao contrário do que a indústria tabageira propaga”, salienta Luiz Augusto Maltoni, cirurgião oncológico e diretor executivo da Fundação do Câncer. O especialista acrescenta que apesar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibir a comercialização, importação e a propaganda de todos os tipos de dispositivos eletrônicos para fumar, o uso desses produtos vem crescendo em locais de eventos e entretenimento.
A parceria entre a Fundação do Câncer e a ANUP, que reúne 247 instituições de ensino superior e atinge três milhões de jovens no país, teve um fator preponderante. “As faculdades, centros universitários e universidades de todo o país têm um papel social importante de esclarecimento e mobilização para que os jovens não adquiram esse hábito que pode trazer inúmeras consequências para a saúde”, comenta Elizabeth Guedes, presidente da ANUP.
A campanha conta com 20 peças, nos padrões virtual e convencional, prontas para serem baixada e utilizadas pelas universidades. Entre elas estão banner para site, posts para redes sociais, WhatsApp card e cartaz, apresentando quatro mensagens diferentes. Duas delas destacam: ‘Enganação’ e “Não se iluda com a estética. Cigarro eletrônico possui nicotina”. As artes da campanha também podem ser observadas nos painéis de LED das cabines de pedágio da ponte Rio-Niterói.
Sabores e aromas atrai consumidores
O aumento do consumo dos cigarros eletrônicos está associado ao formato e as substâncias colocadas nesses dispositivos, como sabores e aroma. A estratégia acaba atraindo novos usuários impressionados com o status de modernidade.
“No entanto, é uma enganação a propaganda de que o cigarro eletrônico é menos prejudicial que o cigarro tradicional, já que contém muito mais nicotina e outras substâncias muitas vezes desconhecidas, levando a malefícios e dependência química”, afirma o epidemiologista e consultor médico da Fundação do Câncer, Alfredo Scaff.
O especialista lembra que o uso do tabaco está relacionado a pelo menos 20 tipos de câncer, segundo a União Internacional para Controle do Câncer (UICC). Scaff destaca ainda que o tabagismo engloba o consumo não só de cigarro comum, mas a utilização de cigarros eletrônicos, vapes, e-cigarette, pod e tabaco aquecido.
“A indústria de produtos fumígeros impulsiona pessoas a usarem os DEFs alegando que o uso deles diminui a dependência do cigarro comum, servindo supostamente como uma alternativa para as pessoas pararem de fumar. Mas a realidade mascara que o cigarro eletrônico é extremamente prejudicial à saúde, elevando o risco de infarto, asma, pneumonia e câncer”, explica o consultor da Fundação do Câncer.
Em outra pesquisa, especialistas do InCor/Universidade de São Paulo (USP) destacam que os usuários de cigarro eletrônico têm 42% de chance a mais de terem infarto. O motivo está no fato do produto conter mais nicotina do que o cigarro tradicional, além do sal presente na substância ser mais nocivo para a saúde. Esses dispositivos oferecem ainda 50% mais risco dos seus adeptos desenvolverem asma e maior possibilidade de ter pneumonia.
A Fundação do Câncer enumera outros perigos dos dispositivos eletrônicos para fumar:
- Os e-líquidos, usados nos vaporizadores, contêm quantidades significativas de produtos químicos tóxicos.
- Um vaporizador de 1.500 tragadas equivale a 5 maços;
- Por lei, 1 cigarro tradicional tem 1mg de nicotina. O cigarro eletrônico não é regulado, mas tem muito mais nicotina que o cigarro comum. Vale lembrar que a nicotina é altamente viciante;
- Os DEFs contêm metal, plástico, baterias e circuitos;
- Os resíduos de cigarros eletrônicos não são biodegradáveis e os cartuchos ou dispositivos descartáveis geralmente se decompõem em microplásticos e produtos químicos que poluem ainda mais os cursos d’água.
Para participar da campanha da Fundação do Câncer, ajudando na divulgação das peças, basta baixá-las pelos sites: www.cancer.org.br ou www.anup.org.br.
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