O cinema palestino enfrenta um momento delicado com a aproximação do Oscar. Motaz Malhees, protagonista do longa “A Voz de Hind Rajab”, anunciou em suas redes sociais que não poderá viajar para os Estados Unidos devido às restrições de visto impostas pelo governo de Donald Trump.
Em mensagem publicada, Malhees afirmou: “Podem bloquear um passaporte, não podem bloquear uma voz”.
O filme retrata a trágica história de Hind Rajab, uma menina palestina de cinco anos morta por forças israelenses em Gaza, em 2024. Malhees interpreta Omar, voluntário do Crescente Vermelho Palestino, que tenta socorrer a criança durante os ataques.
O veículo em que a menina estava foi atingido por disparos de um tanque Merkava, deixando 335 marcas de bala, segundo investigação realizada pelo grupo Forensic Architecture da Universidade de Londres.
A restrição que impede o ator de comparecer ao Oscar decorre de uma proclamação presidencial americana de dezembro, que restringe a entrada nos EUA para pessoas com passaporte emitido ou endossado pela Autoridade Palestina, em vigor desde 1º de janeiro deste ano.
Casos semelhantes já ocorreram anteriormente, como o do diretor iraniano Asghar Farhadi, que não pôde participar da cerimônia de 2017 devido à proibição de entrada para cidadãos de sete países de maioria muçulmana, incluindo o Irã.
Apesar das barreiras, Malhees destacou que o reconhecimento do filme e sua mensagem não serão silenciados, reforçando a importância da arte como ferramenta de denúncia e visibilidade para a causa palestina.
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