As ações de empresas ligadas à Groenlândia registraram forte valorização nas últimas semanas, impulsionadas pela pressão renovada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para adquirir o território ártico. O movimento atraiu investidores e colocou ativos groenlandeses entre os de melhor desempenho da Europa no início do ano.
O principal destaque foi o Banco da Groenlândia, instituição comercial sediada em Nuuk, cujas ações chegaram a subir até 42% em 2026. Em apenas uma semana, os papéis avançaram 33%, em meio à intensificação do discurso de Trump sobre a importância estratégica da Groenlândia para a segurança nacional dos EUA. O banco atingiu máxima histórica antes de uma realização de lucros e passou a figurar entre os melhores desempenhos do índice OMX Copenhagen Mid Cap, que avançou 2,7% no período.
A escalada retórica da Casa Branca tem sido um fator central para o aumento da especulação. Trump voltou a afirmar que os Estados Unidos “precisam” da Groenlândia, deixando claro que a opção militar não está descartada. Em entrevistas recentes, o presidente classificou o território como um ativo estratégico, ressaltando sua relevância tanto do ponto de vista geopolítico quanto psicológico.
As declarações causaram preocupação entre aliados europeus. A Dinamarca reagiu anunciando um pacote de cerca de 88 bilhões de coroas dinamarquesas, o equivalente a aproximadamente US$ 13,8 bilhões, para reforçar a defesa da Groenlândia. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, pediu publicamente que Trump interrompa as ameaças contra um aliado histórico.
Além do setor financeiro, empresas de mineração com atuação na Groenlândia também se beneficiaram do aumento do interesse internacional. A Amaroq Minerals, responsável pela mina de ouro Nalunaq, no sul do território, viu suas ações saltarem mais de 19% após o CEO afirmar que a companhia mantém conversas com órgãos do governo norte-americano sobre possíveis investimentos, incluindo apoio à infraestrutura, linhas de crédito e contratos de compra antecipada.
Já a Critical Metals, que controla o projeto de terras raras Tanbreez, registrou alta superior a 16% depois de obter autorização para construir uma planta piloto. O projeto ganhou visibilidade em meio à estratégia do governo Trump de reduzir a dependência dos Estados Unidos da China no fornecimento de minerais considerados críticos.
Segundo informações de mercado, autoridades americanas trabalham para estruturar acordos comerciais que ampliem a presença dos EUA na Groenlândia, com foco em mineração de terras raras e projetos de energia hidrelétrica. O secretário de Estado, Marco Rubio, deve se reunir com representantes da Dinamarca e da Groenlândia para discutir os desdobramentos políticos e econômicos da situação.
A Groenlândia abriga cerca de 40 minerais classificados como estratégicos pelo governo americano, essenciais para setores como defesa, tecnologia e transição energética. Esse potencial, aliado à pressão política dos EUA, tem sido suficiente para transformar o território em um novo foco de atenção dos mercados financeiros globais
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